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Mundo | Escritório para Direitos Humanos vê risco de “conflito total” em Mianmar

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Pessoas em Yangon organizando vigilia em memória das vítimas da violência

13 de abril de 2021 – Mais de 80 pessoas foram mortas, no fim de semana, e cerca de 3 mil continuam detidas; Michelle Bachelet pediu mais ação da comunidade internacional e afirmou que condenações e sanções limitadas não estão dando resultados e comparou situação do país asiático com a da Síria. 

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu que os Estados-membros tomem medidas imediatas e decisivas para pressionar a liderança militar de Mianmar a interromper “a repressão e o massacre de seu povo.” 

Bachelet falou em mais um “derramamento de sangue coordenado em muitas partes do país”, incluindo a morte de pelo menos 82 pessoas em Bago, no fim de semana. 

Alerta 

Para ela, “os militares aparentam querer intensificar sua política impiedosa de violência contra o povo de Mianmar, usando armamento de nível militar e indiscriminado.” 

Foto: ONU/Violaine Martin. A alta comissária para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, fez uma atualização sobre a situação em Mianmar.

Segundo Bachelet, “existem ecos claros da Síria em 2011”, com protestos pacíficos recebendo força desnecessária e desproporcional.  

Ela lembrou que no país árabe, “a repressão brutal e persistente do Estado contra seu próprio povo levou alguns indivíduos a pegar em armas, seguida por uma espiral decrescente e em rápida expansão de violência em todo o país.” Para Bachelet, “os últimos 10 anos mostraram como as consequências foram terríveis para milhões de civis.” 

A alta comissária teme que “a situação em Mianmar esteja caminhando para um conflito total.” Ela afirma que “os Estados não devem permitir que os erros mortais do passado na Síria e em outros lugares se repitam.” 

Violência 

De acordo com relatos, forças de segurança em Mianmar, conhecidas como Tatmadaw, usaram granadas e morteiros em Bago, no sul do país, numa ofensiva a civis no fim de semana. 

Os militares ainda impediram que os feridos fossem socorridos, e cobraram das famílias uma “multa” de cerca de US$ 90 para liberar os corpos.  

Os confrontos entre militares e grupos armados étnicos também se intensificaram em vários locais nos estados de Kachin, Shan e Kayin,  que têm sido bombardeados pelos militares. 

Pelo menos 3.080 pessoas foram detidas e 23 condenadas à morte em julgamentos secretos, incluindo quatro manifestantes e 19 acusados ​​de crimes políticos e outros delitos. 

Muitos jornalistas, ativistas e figuras públicas estão sendo procurados pela polícia simplesmente por se expressam na internet. 

Os serviços de banda larga sem fio e dados móveis foram cortados indefinidamente em 2 de abril, deixando a grande maioria das pessoas sem acesso a fontes importantes de informação e comunicação. 

Crise 

Ao mesmo tempo, a economia, a educação e a infraestrutura de saúde do país estão à beira do colapso e milhões de pessoas sem meios de subsistência, serviços básicos e, cada vez mais, em insegurança alimentar. 

Milhares de migrantes saíram dos centros urbanos para voltar ao interior do país. Com os tumultos, foi suspenso o combate à Covid-19. 

A alta comissária da ONU pediu aos militares e aos países vizinhos que facilitem acesso humanitário e proteção. 

Para ela, declarações de condenação e sanções limitadas já provaram ser insuficientes para combater esta crise.  

Bachelet afirma que “os Estados com influência precisam aplicar urgentemente uma pressão coordenada sobre os militares para impedir a prática de graves violações dos direitos humanos e possíveis crimes contra a humanidade.” 

  • Nota na íntegra (em inglês), aqui.

Fonte: ONU News

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