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Mundo | Bachelet pede que Talibã respeite os direitos das mulheres

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1 de julho de 2022 – Em sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a situação das mulheres e meninas afegãs, alta comissária pediu que autoridades de facto honrem compromissos de direitos humanos; crise no país se agrava após terremoto; 90% de famílias chefiadas por mulheres sofrem com fome.

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, na Suíça, se reuniu nesta sexta-feira para debater a situação de mulheres e meninas no Afeganistão.

Desde a tomada de poder pelo Talibã, em agosto de 2021, elas vêm sofrendo com as rápidas restrições a direitos que haviam conquistado nas últimas décadas. Segundo a alta comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, o futuro deve ser ainda mais obscuro se nada for feito.

Restrições afetam as mulheres

Para Bachelet, a responsabilidade deve ser de todos. Ela fez um apelo à solidariedade com as mulheres e meninas do Afeganistão, afirmando que os direitos de todas devem ser protegidos e promovidos.

A alta comissária lembrou que o terremoto que atingiu o país na última semana agravou a situação já desesperadora no país, afetando especialmente mulheres e meninas.

Segundo os dados apresentados pela chefe dos direitos humanos, a fome e insegurança alimentar já afeta mais de 90% das famílias chefiadas por mulheres. 

Elas também são vítimas da crescente violência doméstica e assédio, além de ataques a mulheres defensoras de direitos humanos, jornalistas, juízas, advogadas e promotoras. 

Outro ponto destacado por Bachelet é o desemprego massivo entre mulheres, em meio a uma economia “à beira do colapso total”. Ela ainda citou as restrições de movimento e vestimenta, que impactam no acesso a serviços básicos e aumentam os casos ansiedade e depressão. Crianças que vivem em um campo de deslocados internos na província de Herat, Afeganistão.© UNICEF/Sayed Bidel. Crianças que vivem em um campo de deslocados internos na província de Herat, Afeganistão.

Meninas fora das escolas

Além disso, a escolaridade secundária de 1,2 milhão de meninas foi descontinuada e os negócios que eram tocados por mulheres, fechados.

A ex-vice-presidente do parlamento afegão, Fawzia Koofi, também falou ao Conselho de Direitos Humanos, reforçando que a situação enfrentada por mulheres e meninas “não é normal”. 

Ela destacou que as conquistas femininas, como 28% de representatividade no parlamento e 30% no funcionalismo público, chegaram a zero com as autoridades de facto.

Na educação, o país tinha 4 milhões de meninas nas salas de aula. Após agosto de 2021, apenas 1,5 milhão seguem com acesso à educação, que sofre frequente ameaça.

Michelle Bachelet também pontuou que embora essas preocupações já existissem antes da tomada do Talibã, as reformas “estavam indo na direção certa, com melhorias e esperança”. 

Ela fez um apelo para que seja estabelecida uma data final para a abertura de escolas secundárias para meninas e que assegurem uma educação de qualidade, sem discriminação, e recursos para os professores.

Negociações

A alta comissária lembrou de sua visita em março, quando as autoridades de facto afirmaram que honrariam suas obrigações de direitos humanos, desde que consistente com a lei islâmica da sharia.

No entanto, Bachelet afirma que apesar dessas garantias, “estamos testemunhando a exclusão progressiva de mulheres e meninas da esfera pública e sua opressão sistemática e institucionalizada”.

Ainda sobre sua visita ao país, ela afirmou que as mulheres com quem conversou foram claras: elas querem um diálogo direto, presencial, com as autoridades de facto.

Por isso, ela pediu novamente que esses apelos sejam atendidos e que as mulheres tenham um “assento à mesa”. Para Bachelet, essa decisão beneficiará o Afeganistão.

Em seu apelo, ela ainda pediu o fim das restrições à liberdade de movimento das mulheres, incluindo a exigência de um acompanhante masculino e a cobertura obrigatória do rosto, permitindo seu direito de acesso ao emprego, incluindo o trabalho autônomo, e a implementação de mecanismos contra a violência de gênero.

Fonte: ONU News em português

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