Fale conosco
Menu

Ex-alta-comissária da ONU, sul-africana Navi Pillay ganha Prêmio Nobel da Paz

Compartilhe em:

Compartilhar no twitter
Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no email
Compartilhar no print
Ao receber a notícia, juíza aposentada surpreendeu-se e pensou se tratar de “brincadeira”; ela dedicou vitória aos “sobreviventes de crimes internacionais”; laureada é a quinta sul-africana a receber o prêmio em lista que inclui Nelson Mandela e Desmond Tutu.

9 de outubro de 2026 – A juíza aposentada sul-africana Navi Pillay é a vencedora do Prêmio Nobel da Paz deste ano.

Considerada como uma das maiores defensoras dos princípios jurídicos internacionais, Pillay, de 85 anos, recebeu a notícia durante uma reunião num lugar simbólico: um tribunal de Nuremberg, na Alemanha.

Nova laureada 

Falando de Nuremberg, Navi Pillay afirmou ainda estar “atordoada com a surpresa” e dedicou o prêmio aos “sobreviventes de crimes internacionais”.

Ela contou que primeiro reagiu achando que a notícia “deveria ser uma piada”. Contudo, Pillay brincou com a situação, declarando: “sendo advogada e juíza, eu ainda quero verificar essa história”.

Para o Comitê do Prêmio Nobel, este reconhecimento global não coroa apenas um indivíduo, mas envia uma mensagem clara sobre a urgência de apoiar, fortalecer e expandir o Estado de direito no mundo. 

A cerimônia de premiação acontecerá no dia 10 de dezembro, na Prefeitura de Oslo. Além do imenso prestígio histórico, a medalha e o certificado, a laureada receberá um valor de 12 milhões de coroas suecas, ou cerca de US$ 1,2 milhão.

Compromisso com a justiça e a dignidade humana

O júri que escolheu Navi Pillay realça que ao longo de décadas, o compromisso dela com a justiça e a dignidade humana tem responsabilizado chefes de Estado e devolvido a esperança a vítimas de violência e conflitos extremos.

Nascida em Durban, na África do Sul, a trajetória de Navi Pillay foi marcada por episódios da própria evolução do direito internacional moderno. Na luta contra a segregação racial, ela iniciou sua carreira defendendo Nelson Mandela e outros ativistas contra o regime do apartheid sul-africano.

No genocídio de Ruanda, entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000, Pillay foi presidente do tribunal internacional que julgou os responsáveis pelos massacres no país africano, estabelecendo precedentes históricos no direito penal.

Quanto à questão palestina, mais recentemente, Navi Pillay integrou a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado, criada em 2021 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU.

“A força da lei deve prevalecer sobre a lei da força” 

Em reação ao anúncio, o secretário-geral da ONU, António Guterres, felicitou a nova laureada, destacando sua atuação desde os tribunais sul-africanos até o mais alto escalão das Nações Unidas como alta comissária para os Direitos Humanos.

Para o líder das Nações Unidas, Navi Pillay demonstrou que a força da lei deve prevalecer sobre a lei da força, e que defender os direitos humanos é a salvaguarda mais segura contra a injustiça. 

Guterres declarou ainda que a escolha para o prêmio, anunciada nesta sexta-feira, é um tributo a todos que trabalham para defender o direito internacional e garantir paz, justiça e dignidade humana.

Vitória coletiva para os direitos humanos 

Nas Nações Unidas, o atual chefe dos Direitos Humanos, Volker Turk, classificou a a nomeação concedida à sua antecessora como uma autêntica “vitória coletiva para os direitos humanos”. Durante uma coletiva de imprensa, ele parabenizou aquela a quem chamou de “irmã mais velha” pela conquista “absolutamente fantástica”.

Com o reconhecimento histórico, Pillay torna-se a quinta cidadã sul-africana a receber o Prêmio Nobel da Paz, com o seu nome ao lado de gigantes que lutaram contra a opressão. 

Ela junta-se ao primeiro africano laureado, em 196, Albert Lutuli, ao falecido arcebispo Desmond Tutu em 1984, e aos líderes Nelson Mandela e F.W. de Klerk, que dividiram o Nobel em 1993 por negociarem o fim do apartheid e conduzirem a transição democrática da África do Sul.

FIM

Fonte: ONU News

ODS Relacionados

Rolar para cima
Rolar para cima