Com apenas 27 anos, Salvino Oliveira se tornou um dos mais jovens e proeminentes defensores da educação e da inclusão digital no Brasil, movido por uma jornada pessoal moldada pela pobreza, oportunidade e propósito.
“Acredito que há talento em toda parte, mas nem todos têm o privilégio de se desenvolver para o futuro. Para mim, minha vida foi transformada pela educação, e isso me levou ao caminho que estou agora, e acredito que devo possibilitar o acesso à educação e às oportunidades que ela pode trazer para jovens menos privilegiados no Brasil,” ele disse.
Nascido na pobreza e criado na favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, Salvino cresceu testemunhando as lutas diárias de sua família. O acesso à educação de qualidade é frequentemente limitado nas favelas do Brasil, que abrigam cerca de 2,1 milhões dos quase 14 milhões de habitantes do Rio.
Muitas crianças são empurradas para trabalhos informais ou precários para ajudar a sustentar suas famílias, os levando a frequências escolares irregulares ou à desistência escolar completa. Na ausência de oportunidades estáveis essa situação também pode expor jovens a redes criminosas.
Salvino se considera sortudo por ter frequentado uma das melhores escolas públicas da cidade, uma experiência que, segundo ele, mudou fundamentalmente a forma como ele via o mundo. A efetivação do direito à educação desde a infância fortaleceu sua trajetória de compromisso permanente com a transformação social.
Aos 15 anos ele já estava envolvido em projetos sociais comunitários, determinado a ampliar o acesso a oportunidades para outros que cresciam em circunstâncias semelhantes.
Hoje, como Presidente da Comissão de Educação, Salvino Oliveira está ajudando a reescrever o Plano Municipal de Educação do Rio para a próxima década. Paralelamente a esse trabalho de políticas públicas, ele continua focando em soluções práticas em nível comunitário que levam educação e tecnologia diretamente para jovens sem acesso aos direitos básicos.
“A perspectiva para um jovem de baixa renda hoje é trabalhar em um supermercado, mas o que acontecerá quando essas tecnologias eliminarem esses empregos? O que esses jovens vão fazer? Como eles vão se alimentar?”, ele pergunta.
“O treinamento em tecnologia pode literalmente significar a diferença entre a vida e a morte para um desses jovens.”
Salvino Oliveira, Educação e Acesso à Tecnologia para Jovens de Favelas, Brasil
Por isso, ele acredita que a tecnologia deve ser integrada à educação, pois as habilidades digitais serão essenciais para as profissões futuras.
Uma de suas iniciativas principais, o Projeto Manivela, utiliza a tecnologia como ferramenta para a transformação social nas favelas. Por meio desse projeto, Salvino criou centros de treinamento tecnológico construídos dentro de contêineres e os instalou em sete favelas espalhadas pelo Rio. Esses centros treinam cerca de 250 jovens por mês em áreas como robótica, inteligência artificial, drones, desenvolvimento de videogames, DJ e mixagem musical, impressão 3D, programação e design digital.
Ele também lançou o projeto Pacto pela Juventude com o apoio da UNESCO, que oferece competência digital e treinamento profissional em 60 favelas por todo o Rio de Janeiro. Coletivamente, as iniciativas de Salvino alcançaram mais de 200.000 jovens, equipando-os com habilidades e oportunidades que de outra forma não teriam.

Por esse trabalho de advocacia, Salvino foi homenageado pela Cúpula de Jovens Ativistas (YAS), uma plataforma global que capacita e apoia jovens agentes de mudança que defendem os direitos humanos e/ou protegem o meio ambiente. 40 ativistas de todas as partes do mundo foram homenageados e apoiados desde a fundação da Cúpula de Jovens Ativistas em 2019.
A Cúpula dos Jovens Ativistas é apoiada por um grupo diversificado de parceiros de destaque, incluindo organizações internacionais como ONU Direitos Humanos, UNESCO e UNFPA, além de ONGs, fundações, veículos de mídia, governos e atores do setor privado, que contribuem com apoio financeiro, recursos em espécie e expertise temática.
A visão de igualdade educacional de Salvino vai além de enfrentar as lacunas atuais; está firmemente focado em preparar as futuras gerações para um mundo em rápida transformação.
“É muito importante ensinar as pessoas desde muito jovens sobre tecnologia, pois a tecnologia vai dominar; fornecer conhecimento em robótica, IA, drones e profissões de programação permitirá que os jovens não sejam limitados pelo ambiente em que nasceram,” afirmou.
Seu trabalho reflete a crença de que “o acesso à tecnologia é um direito humano fundamental e uma ferramenta poderosa para a transformação social.”
O centro de sua abordagem é ouvir as comunidades e entender o que os próprios jovens querem da educação. Ele vê a inclusão digital como fundamental para expandir a força de trabalho brasileira, fechando lacunas na educação e na alfabetização digital, além de ajudar os jovens a navegar pelo mundo online de forma segura e crítica.
“O trabalho que fazemos ajuda a preparar os jovens para o mercado de trabalho atual, que é moldado pelas mudanças tecnológicas,” disse ele. “É essencial que jovens de origens mais pobres estejam cientes dessas mudanças, para que possam aprender a distinguir entre informações confiáveis e enganosas na internet. Ao preparar um grupo mais amplo de jovens com essas habilidades, também criamos condições que incentivam novas empresas a investir no Brasil e contratar localmente.”
Das ruas da Cidade de Deus à vanguarda da reforma educacional, a história de Salvino Oliveira ressalta o poder transformador da educação e sua determinação em garantir que a oportunidade não seja ditada pelo local onde a criança nasce.
FIM
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