{"id":58996,"date":"2019-03-14T15:13:44","date_gmt":"2019-03-14T18:13:44","guid":{"rendered":"http:\/\/acnudh.org\/story\/viuva-da-vereadora-marielle-franco-assassinada-ha-um-ano-no-brasil-promete-continuar-a-luta\/"},"modified":"2019-07-25T15:54:53","modified_gmt":"2019-07-25T19:54:53","slug":"viuva-da-vereadora-marielle-franco-assassinada-ha-um-ano-no-brasil-promete-continuar-a-luta","status":"publish","type":"story","link":"https:\/\/acnudh.org\/pt-br\/story\/viuva-da-vereadora-marielle-franco-assassinada-ha-um-ano-no-brasil-promete-continuar-a-luta\/","title":{"rendered":"Vi\u00fava da vereadora Marielle Franco, assassinada h\u00e1 um ano no Brasil, promete continuar a luta"},"content":{"rendered":"\n<p>14 de mar\u00e7o de 2019 \u2013 Um ano atr\u00e1s, Monica Benicio perdeu o amor de sua vida. Na noite do 14 de mar\u00e7o de 2018, sua companheira Marielle Franco \u2013 integrante da C\u00e2mara Municipal do Rio de Janeiro \u2013 foi baleada e morta com quatro tiros na cabe\u00e7a enquanto voltava para casa, ap\u00f3s participar em um evento p\u00fablico chamado \u201cJovens Negras Movendo Estruturas\u201d. O assassinato tamb\u00e9m tirou a vida de seu motorista, Anderson Gomes.<\/p>\n\n<p>Franco era uma cr\u00edtica declarada da brutalidade policial e uma defensora dos direitos das mulheres, pessoas LGBTI e jovens das periferias urbanas de sua cidade.<\/p>\n\n<p>Nos \u00faltimos meses, temos visto Monica Benicio usar a mesma camiseta de campanha em homenagem a sua falecida parceira. Nela, \u201cLute como Marielle Franco\u201d est\u00e1 inscrito como um novo lema para os milhares de partid\u00e1rios de Franco.<\/p>\n\n<p>\u201cEu vejo um futuro de esperan\u00e7a. Ele tem, obviamente, muita resist\u00eancia, n\u00e3o ser\u00e1 constru\u00eddo sem muita luta, mas espero que, diferente do que a gente tem em todo momento da nossa hist\u00f3ria, que ele seja com menos sangue\u201d, conta Benicio. \u201cEssa \u00e9 a luta do movimento feminista. \u00c9 a luta por uma sociedade mais justa e mais igualit\u00e1ria.\u201d<\/p>\n\n<p>No final de fevereiro, durante a \u00faltima sess\u00e3o do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Benicio esteve em Genebra para falar sobre a situa\u00e7\u00e3o das mulheres defensoras dos direitos humanos no Brasil, \u201ce buscar ajuda internacional para que o mundo saiba o que est\u00e1 acontecendo no Brasil\u201d.<\/p>\n\n<p>Esses defensores, como a falecida Marielle Franco, foram v\u00edtimas de humilha\u00e7\u00e3o p\u00fablica, ass\u00e9dio na Internet, amea\u00e7as de morte e at\u00e9 assassinatos, segundo um novo\u00a0<a href=\"http:\/\/ap.ohchr.org\/documents\/dpage_e.aspx?si=A\/HRC\/40\/60\">relat\u00f3rio de especialistas da ONU<\/a>. Em 2017, 65 defensores dos direitos humanos do Brasil teriam sido mortos, de acordo com a ONG Front Line Defenders. A pr\u00f3pria Benicio recebeu s\u00e9rias amea\u00e7as \u00e0 sua pr\u00f3pria vida que a for\u00e7aram a deixar a casa que compartilhava com sua parceira.<\/p>\n\n<p><strong>Ser uma defensora dos direitos humanos<\/strong><\/p>\n\n<p>Arquiteta de profiss\u00e3o e defensora dos direitos humanos, Benicio acredita que \u00e9 fundamental para a comunidade internacional entender que a luta de sua companheira era pelos direitos humanos e contra o racismo, a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e a fobia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas LGBTI.<\/p>\n\n<p>Ela diz que a participa\u00e7\u00e3o de grupos marginalizados \u00e9 fundamental para transformar a sociedade. A minoria no poder pol\u00edtico mas maiorit\u00e1ria em n\u00famero, acrescenta Benicio, n\u00e3o aceita mais uma sociedade ca\u00f3tica e violenta e vai desconstru\u00ed-la com resist\u00eancia.<\/p>\n\n<p>\u201cA gente tem se articulado cada vez mais. Eu acho que, inclusive, a resposta \u00e0 execu\u00e7\u00e3o da Marielle \u2013 onde todas pod\u00edamos ter ficado acuadas, sobretudo as mulheres negras, e ter dado um passo atr\u00e1s nas lutas \u2013, houve um movimento completamente reverso a essa tentativa de silenciar o que a Marielle representava\u201d, diz Benicio.<\/p>\n\n<p>As mulheres negras no Brasil reagiram ao assassinato de Franco ocupando mais espa\u00e7os democr\u00e1ticos.<\/p>\n\n<p>\u201cQuando eu olho uma luta de uma mulher quilombola, por exemplo, essa luta me inspira. Ent\u00e3o, as vozes dessas minorias, se vistas pelo coletivo, podem ser tamb\u00e9m entendidas como uma inspira\u00e7\u00e3o de luta\u201d, diz ela.<\/p>\n\n<p>\u201cS\u00e3o sempre essas minorias que buscam falar, n\u00e3o s\u00f3 por si, mas por uma constru\u00e7\u00e3o coletiva. Ent\u00e3o, para mim, serve olhar para essas lutas e entender que se isso me inspira, eu tamb\u00e9m quero transformar\u201d, acrescenta Benicio.<\/p>\n\n<p><strong>Al\u00e9m do luto, a luta<\/strong><\/p>\n\n<p>Marielle Franco lutou para sair das favelas para e se tornar uma popular integrante da C\u00e2mara Municipal do Rio de Janeiro. Ela deixou para tr\u00e1s uma fam\u00edlia e amigos, bem como outros sobreviventes de viol\u00eancia, lidando com a perda de uma jovem no auge de sua vida.<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-columns alignfull has-3-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-28f84493 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-embed-twitter wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-width=\"500\" data-dnt=\"true\"><p lang=\"pt\" dir=\"ltr\">Hoje faz um ano desde que a defensora dos <a href=\"https:\/\/twitter.com\/hashtag\/DireitosHumanos?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw\">#DireitosHumanos<\/a> <a href=\"https:\/\/twitter.com\/mariellefranco?ref_src=twsrc%5Etfw\">@mariellefranco<\/a> foi brutalmente assassinada. Apoiamos a luta de sua vi\u00fava <a href=\"https:\/\/twitter.com\/monica_benicio?ref_src=twsrc%5Etfw\">@monica_benicio<\/a> para garantir justi\u00e7a e manter vivas as lutas de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/hashtag\/Marielle?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw\">#Marielle<\/a>. <a href=\"https:\/\/twitter.com\/hashtag\/IStandWithHer?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw\">#IStandWithHer<\/a><br><br>\ud83d\udcfd\ufe0fLeia e assista a reportagem: <a href=\"https:\/\/t.co\/TwueXzWa0h\">https:\/\/t.co\/TwueXzWa0h<\/a> <a href=\"https:\/\/t.co\/LrM7wCUYsG\">https:\/\/t.co\/LrM7wCUYsG<\/a><\/p>&mdash; ONU Derechos Humanos &#8211; Am\u00e9rica del Sur (@ONU_derechos) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ONU_derechos\/status\/1106330214253150209?ref_src=twsrc%5Etfw\">March 14, 2019<\/a><\/blockquote><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script>\n<\/div><\/figure><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><\/div>\n<\/div>\n\n<p>\u201c\u00c9 dif\u00edcil seguir depois de tanta viol\u00eancia. Mas eu acho que o que ressignifica, na verdade, inclusive a pr\u00f3pria vida, \u00e9 o sentido da luta em si\u2026 entender que voc\u00ea precisa colaborar, de alguma forma, em uma constru\u00e7\u00e3o social com solidariedade para que ningu\u00e9m sinta a mesma dor que voc\u00ea sentiu\u201d, diz Benicio.<\/p>\n\n<p>\u201cIsso \u00e9 um projeto particular que eu tenho. N\u00e3o querer que outra pessoa passe por uma hist\u00f3ria parecida. Ent\u00e3o, quando eu penso que a minha luta pode evitar que isso aconte\u00e7a, ela me ajuda a seguir.\u201d<\/p>\n\n<p>Depois do assassinato de Franco, protestos em todo o mundo denunciaram seu assassinato. No primeiro anivers\u00e1rio de sua morte, protestos locais e homenagens continuam. O mesmo acontece com a investiga\u00e7\u00e3o sobre o assassinato de Franco: em 12 de mar\u00e7o de 2019, dois ex-policiais suspeitos de participar do crime foram presos.<\/p>\n\n<p>\u201cTransformar a sociedade no que ela lutava, no que ela acreditava. Ent\u00e3o, de certa forma, para mim, \u00e9 tamb\u00e9m uma maneira de continuar com ela. E dizer tamb\u00e9m para pessoas que passaram por viol\u00eancias e dores parecidas, que a gente tem, sim, motivo para seguir. Porque sen\u00e3o a gente vai dizer que a vida dos nossos que foram retiradas, foram em v\u00e3o e isso para mim \u00e9 inadmiss\u00edvel\u201d, diz Ben\u00edcio.<\/p>\n\n<p>\u201cRessignificar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria em um movimento de luta \u00e9 tamb\u00e9m um ato de solidariedade e transforma\u00e7\u00e3o social; \u00e9 tamb\u00e9m um ato de luta pelas pautas dos direitos humanos. Esse \u00e9 o legado de Marielle. \u00c9 isso.\u201d<\/p>\n\n<p><em>Fonte:\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/EN\/NewsEvents\/Pages\/MonicaBenicio.aspx\"><em>ACNUDH<\/em><\/a>\r\n\r\n<em>Tradu\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/em><a href=\"http:\/\/acnudh.org\/pt-br\"><em>ACNUDH Am\u00e9rica do Sul<\/em><\/a><\/p>\n\n<p>Preocupada\/o pelo mundo em que vivemos? Ent\u00e3o defenda os direitos humanos de algu\u00e9m hoje. #StandUp4HumanRights e visite o site <a href=\"http:\/\/www.standup4humanrights.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.standup4humanrights.org<\/a><\/p>\n\n<p><strong>ONU Direitos Humanos \u2013 Am\u00e9rica do Sul<\/strong>\r\n\r\n<strong>Facebook:<\/strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/ONUdh\">www.facebook.com\/ONUdh<\/a>\r\n\r\n<strong>Twitter:<\/strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/ONU_derechos\">www.twitter.com\/ONU_derechos<\/a>\r\n\r\n<strong>YouTube:<\/strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/onuderechos\">www.youtube.com\/onuderechos<\/a><\/p>\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>14 de mar\u00e7o de 2019 \u2013 Um ano atr\u00e1s, Monica Benicio perdeu o amor de sua vida. 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