{"id":8041,"date":"2011-03-21T15:04:05","date_gmt":"2011-03-21T15:04:05","guid":{"rendered":"http:\/\/acnudh.org\/?p=8041"},"modified":"2011-03-21T22:12:48","modified_gmt":"2011-03-21T22:12:48","slug":"dia-internacional-para-a-eliminacao-da-discriminacao-racial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acnudh.org\/pt-br\/dia-internacional-para-a-eliminacao-da-discriminacao-racial\/","title":{"rendered":"Dia Internacional para a Elimina\u00e7\u00e3o da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Navi Pillay<\/em><\/p>\n<p>Visitei recentemente a Ilha de Gor\u00e9e, no Senegal, a infame \u201cporta sem retorno\u201d pela qual in\u00fameros africanos foram enviados acorrentados para as Am\u00e9ricas durante o tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de escravos. \u00c0 medida que eu percorria a ilha onde milhares de seres humanos foram negociados como mercadorias, fiquei particularmente sensibilizada com o fato de que a Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas tenha proclamado 2011 como o Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes. No centro desta iniciativa est\u00e1 a promo\u00e7\u00e3o dos direitos econ\u00f4micos, sociais, culturais, civis e pol\u00edticos das pessoas de ascend\u00eancia africana, bem como sua participa\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o em todos os aspectos da sociedade.  <\/p>\n<p>Uma primeira oportunidade para isto \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o anual do Dia Internacional para a Elimina\u00e7\u00e3o da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, comemorado no dia 21 de mar\u00e7o. Esta data foi escolhida porque marca o massacre ocorrido em 1960, quando 69 manifestantes foram assassinados durante um protesto pac\u00edfico contra o regime do <em>apartheid <\/em>em Sharpeville, na \u00c1frica do Sul. O Dia Internacional para a Elimina\u00e7\u00e3o da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial \u00e9 um lembrete anual de que devemos agir de maneira mais decisiva no combate ao racismo, \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e \u00e0 intoler\u00e2ncia. O crescente n\u00famero de incid\u00eancias em v\u00e1rias partes do mundo prova que um maior comprometimento com a implementa\u00e7\u00e3o plena e eficaz dos direitos humanos internacionais para combater estes flagelos \u00e9 extremamente necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Diferente das comemora\u00e7\u00f5es anteriores, o Dia Internacional para a Elimina\u00e7\u00e3o da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial deste ano tem um foco especial nas pessoas de ascend\u00eancia africana para destacar a exclus\u00e3o e a marginaliza\u00e7\u00e3o, que persistem. Muitas destas pessoas s\u00e3o descendentes das v\u00edtimas do tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de escravos, uma das maiores manchas na consci\u00eancia humana.<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas confirmam a dimens\u00e3o deste crime contra a humanidade. Apesar das informa\u00e7\u00f5es variarem devido \u00e0 falta de documenta\u00e7\u00e3o precisa, estima-se que cerca de 14 milh\u00f5es de africanos foram levados \u00e0s Am\u00e9ricas como escravos, e mais 14 milh\u00f5es foram levados ao Oriente.<\/p>\n<p>S\u00f3 nas Am\u00e9ricas, o n\u00famero de afrodescendentes ultrapassa 200 milh\u00f5es e muitos deles vivem sob terr\u00edveis circunst\u00e2ncias. Eles est\u00e3o frequentemente entre os mais afetados pela pobreza, desemprego e condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de vida. Este n\u00e3o \u00e9 um mero acidente do destino. Precisamos reconhecer que na raiz desta deplor\u00e1vel realidade est\u00e1 a discrimina\u00e7\u00e3o estrutural, que teve origem em lugares como a Ilha de Gor\u00e9e.<\/p>\n<p>De fato, o legado do com\u00e9rcio de escravos persiste em muitas pr\u00e1ticas atuais. Vemos reflexos da discrimina\u00e7\u00e3o contra afrodescendentes na discrimina\u00e7\u00e3o racial, na representa\u00e7\u00e3o excessiva na popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria e no acesso prec\u00e1rio aos servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a e sa\u00fade de qualidade. Por causa destes obst\u00e1culos, gerados pelo preconceito, pela intoler\u00e2ncia e pela desigualdade, milhares de pessoas t\u00eam seus direitos humanos negados.<\/p>\n<p>Recentemente, em abril de 2009, na Confer\u00eancia de Revis\u00e3o de Durban contra o Racismo, a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, a Xenofobia e as Formas Correlatas de Intoler\u00e2ncia, 182 Estados concordaram que uma renova\u00e7\u00e3o dos compromissos era necess\u00e1ria para combater estes flagelos.<\/p>\n<p>Enquanto as celebra\u00e7\u00f5es da ONU oferecem oportunidades para discutir e abordar os diversos desafios que os afrodescendentes continuam enfrentando devido ao racismo e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o racial, elas tamb\u00e9m fornecem plataformas de alto n\u00edvel para expor e comemorar as in\u00fameras contribui\u00e7\u00f5es em todas as \u00e1reas do esfor\u00e7o humano. Nas artes e na ci\u00eancia, no direito e na pol\u00edtica, pessoas de ascend\u00eancia africana t\u00eam imprimido sua marca na hist\u00f3ria, moldado na\u00e7\u00f5es e avan\u00e7ado os mais altos ideais de liberdade, progresso, supera\u00e7\u00e3o, ind\u00fastria e autoconfian\u00e7a.<\/p>\n<p>Em muitos casos, por\u00e9m, os livros de hist\u00f3ria, os curr\u00edculos escolares e as tradi\u00e7\u00f5es orais n\u00e3o refletem a riqueza e a extens\u00e3o do patrim\u00f4nio, do trabalho e das realiza\u00e7\u00f5es dos afrodescendentes.  Essas lacunas intencionais ou negligenciadas devem ser preenchidas pelas narrativas de lutas, dor e sucesso que pertenciam exclusivamente \u00e0s pessoas de ascend\u00eancia africana e sua experi\u00eancia cont\u00ednua.<\/p>\n<p>Espero que 2011 gere discuss\u00f5es profundas em rela\u00e7\u00e3o aos desafios enfrentados pelos afrodescendentes, e que forne\u00e7a m\u00faltiplas inst\u00e2ncias onde possam ser encontradas propostas e solu\u00e7\u00f5es inovadoras para lidar com este desafios.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o a todas as pessoas de boa vontade que assegurem que os Estados e comunidades em todo o mundo respeitem os direitos humanos internacionais. Vamos fazer com que nosso objetivo neste Dia Internacional para a Elimina\u00e7\u00e3o seja o de expressar solidariedade com as pessoas de ascend\u00eancia africana e gerar solu\u00e7\u00f5es para suas condi\u00e7\u00f5es, aspira\u00e7\u00f5es e seus direitos a uma vida digna e pr\u00f3spera.  <\/p>\n<p><em><strong>NAVI PILLAY <\/strong>\u00e9 alta-comiss\u00e1ria das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os direitos humanos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Navi Pillay Visitei recentemente a Ilha de Gor\u00e9e, no Senegal, a infame \u201cporta sem retorno\u201d pela qual in\u00fameros africanos foram enviados acorrentados para as Am\u00e9ricas durante o tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de escravos. \u00c0 medida que eu percorria a ilha onde milhares de seres humanos foram negociados como mercadorias, fiquei particularmente sensibilizada com o fato de 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