{"id":73659,"date":"2024-10-17T11:30:00","date_gmt":"2024-10-17T14:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acnudh.org\/?p=73659"},"modified":"2024-10-25T12:36:39","modified_gmt":"2024-10-25T15:36:39","slug":"brasil-cidh-e-onu-direitos-humanos-condenam-a-violencia-contra-os-povos-indigenas-e-instam-o-estado-a-proteger-seus-direitos-territoriais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acnudh.org\/pt-br\/brasil-cidh-e-onu-direitos-humanos-condenam-a-violencia-contra-os-povos-indigenas-e-instam-o-estado-a-proteger-seus-direitos-territoriais\/","title":{"rendered":"Brasil: CIDH e ONU Direitos Humanos condenam a viol\u00eancia contra os povos ind\u00edgenas e instam o Estado a proteger seus direitos territoriais"},"content":{"rendered":"\n<p>Washington, D.C.\/Santiago \u2013 A Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Escrit\u00f3rio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos (ONU Direitos Humanos) na Am\u00e9rica do Sul expressam profunda preocupa\u00e7\u00e3o com o aumento da viol\u00eancia contra os povos ind\u00edgenas no Brasil, em meio aos seus esfor\u00e7os para defender os direitos territoriais, particularmente nos estados da Bahia, Paran\u00e1 e Mato Grosso do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos meses, comunidades ind\u00edgenas foram alvo de ataques violentos, incluindo agress\u00f5es de atores privados e for\u00e7as policiais, resultando em deslocamentos for\u00e7ados e na morte tr\u00e1gica de v\u00e1rios membros que defendiam suas terras. Entre as v\u00edtimas, estavam lideran\u00e7as do povo Patax\u00f3 H\u00e3-H\u00e3-H\u00e3e, Lucas Santos de Oliveira, morto em dezembro de 2023; e Maria de F\u00e1tima Muniz de Andrade, conhecida como Nega Patax\u00f3, assassinada em janeiro deste ano. Em 18 de setembro, Neri Ramos da Silva, um jovem ind\u00edgena do povo Guarani Kaiow\u00e1, foi morto enquanto tentava recuperar terras demarcadas para sua comunidade, ainda contestadas por interesses privados.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa onda de viol\u00eancia \u00e9 agravada pelo lento progresso na demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas e pela cont\u00ednua inseguran\u00e7a jur\u00eddica. A situa\u00e7\u00e3o se deteriorou desde a aprova\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 14.701 pela C\u00e2mara dos Deputados, em outubro de 2023. Essa lei adota a tese do &#8220;Marco Temporal&#8221;, que restringe as reivindica\u00e7\u00f5es territoriais ind\u00edgenas \u00e0s terras ocupadas antes da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal em 1988. A legisla\u00e7\u00e3o foi aprovada apesar do veto do Poder Executivo e de uma decis\u00e3o anterior do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou essa tese inconstitucional. Uma decis\u00e3o final do STF sobre a constitucionalidade da lei ainda est\u00e1 pendente.<\/p>\n\n\n\n<p>A CIDH e a ONU Direitos Humanos ressaltam que, de acordo com os padr\u00f5es interamericanos e universais de direitos humanos, os povos ind\u00edgenas t\u00eam direito a uma prote\u00e7\u00e3o especial de sua integridade f\u00edsica, psicol\u00f3gica e cultural, permitindo-lhes viver livres de viol\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. Esse direito abrange a salvaguarda de sua cultura, territ\u00f3rio e o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, essenciais para sua identidade e seu bem-estar. Nesse sentido, o Brasil deve adotar medidas imediatas e eficazes para prevenir, investigar e sancionar a\u00e7\u00f5es que ameacem a vida e a integridade dos povos ind\u00edgenas, sejam elas perpetradas por terceiros ou por agentes do Estado. Al\u00e9m disso, deve implementar medidas de prote\u00e7\u00e3o para as comunidades ind\u00edgenas que enfrentam amea\u00e7as iminentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a Comiss\u00e3o e a ONU Direitos Humanos destacam a profunda conex\u00e3o dos povos ind\u00edgenas com seus territ\u00f3rios e recordam ao Estado brasileiro o dever de proteger o direito \u00e0 propriedade coletiva, conforme afirmado na Declara\u00e7\u00e3o Americana sobre os Direitos dos Povos Ind\u00edgenas. Nesse contexto, instam o Brasil a tomar medidas imediatas para garantir a demarca\u00e7\u00e3o e titula\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas, assegurando seu direito \u00e0 propriedade coletiva sem invocar a tese do Marco Temporal.<\/p>\n\n\n\n<p>O Escrit\u00f3rio de Direitos Humanos da ONU, de acordo com o mandato conferido pela Assembleia Geral em sua resolu\u00e7\u00e3o 48\/141, promove e protege o gozo e a plena realiza\u00e7\u00e3o, para todas as pessoas, de todos os direitos consagrados na Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas e nas leis e tratados internacionais de direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>A CIDH \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o principal e aut\u00f4nomo da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA), com um mandato estabelecido pela Carta da OEA e pela Conven\u00e7\u00e3o Americana sobre Direitos Humanos. A Comiss\u00e3o tem a tarefa de promover a observ\u00e2ncia e a defesa dos direitos humanos em toda a regi\u00e3o e atua como \u00f3rg\u00e3o consultivo da OEA neste campo. A CIDH \u00e9 composta por sete membros independentes, eleitos pela Assembleia Geral da OEA, que atuam a t\u00edtulo pessoal e n\u00e3o como representantes de seus pa\u00edses de origem ou resid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>FIM<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, D.C.\/Santiago \u2013 A Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Escrit\u00f3rio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos (ONU Direitos Humanos) na Am\u00e9rica do Sul expressam profunda preocupa\u00e7\u00e3o com o aumento da viol\u00eancia contra os povos ind\u00edgenas no Brasil, em meio aos seus esfor\u00e7os para defender os direitos territoriais, particularmente 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