{"id":72982,"date":"2024-05-24T18:19:13","date_gmt":"2024-05-24T22:19:13","guid":{"rendered":"https:\/\/acnudh.org\/?p=72982"},"modified":"2024-06-11T18:21:35","modified_gmt":"2024-06-11T22:21:35","slug":"brasil-mulheres-romanis-unem-forcas-e-dizem-basta-ao-anticiganismo-e-a-romafobia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acnudh.org\/pt-br\/brasil-mulheres-romanis-unem-forcas-e-dizem-basta-ao-anticiganismo-e-a-romafobia\/","title":{"rendered":"Brasil: mulheres romanis unem for\u00e7as e dizem \u201cbasta\u201d ao anticiganismo e a romafobia"},"content":{"rendered":"\n<p>BRAS\u00cdLIA (24 de maio de 2024) <strong>&#8211; <\/strong>Com o objetivo de unir for\u00e7as para enfrentar a discrimina\u00e7\u00e3o contra o povo cigano\/romani, a ONU Direitos Humanos para a Am\u00e9rica do Sul, em colabora\u00e7\u00e3o com organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, organizou o encontro \u201c80 anos do Holocausto Romani &#8211; Mulheres, Mem\u00f3ria e Viol\u00eancia no Brasil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O evento, realizado de maneira virtual o 16 de maio, reuniu pessoas defensoras para discutir sobre a hist\u00f3rica rota do anticiganismo e como ela impacta a vida das mulheres romanis no Brasil, bem como as diferentes estrat\u00e9gias para combater o racismo e fortalecer a luta dessas mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o encontro, o Representante da ONU Direitos Humanos para a Am\u00e9rica do Sul, Jan Jarab, relembrou a hist\u00f3rica do anticiganismo no pa\u00eds e ressaltou o poder das mulheres em empreender mudan\u00e7as. Ele afirmou que \u00e9 necess\u00e1rio impulsar essas transforma\u00e7\u00f5es e construir espa\u00e7os seguros para que cada vez mais mulheres romanis possam falar sobre suas experiencias e criar estrat\u00e9gias para superar os desafios de forma conjunta.<\/p>\n\n\n\n<p>No encontro, que teve o apoio da AMSK\/Brasil, IRU South Am\u00e9rica, Observat\u00f3rio Internacional de Mujeres Gitanas, Urban N\u00f4mads e o Coletivo DOSTA\/Basta, participantes demonstraram como o povo romani, especialmente as mulheres, est\u00e3o vulner\u00e1veis ao sistema que n\u00e3o oferece uma base de apoio e um mecanismo de defesa efetivo, e onde o estere\u00f3tipo faz parte do racismo estrutural e epist\u00eamico que enfrenta o povo romani, legitimando a exclus\u00e3o, a apropria\u00e7\u00e3o cultural e at\u00e9 mesmo a viol\u00eancia policial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luta contra o anticiganismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No encontro, diversas mulheres romanis compartilharam os desafios di\u00e1rios que enfrentam na luta contra estere\u00f3tipos e outras formas de racismo. Elisabete Kuczmenda, professora e pedagoga romani, relatou que no Brasil o povo romani muitas vezes \u00e9 entendido como um grupo religioso inclusive pelo Estado, o que gera um enorme constrangimento principalmente para as mulheres desta etnia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Carolina Guimar\u00e3es, defensora dos direitos humanos e ativista romani, estes estere\u00f3tipos tamb\u00e9m favorecem o discurso de \u00f3dio e a viol\u00eancia no espa\u00e7o virtual. J\u00e1 Anne Kellen Cavalcante, ativista romani e integrante da AMSK, complementou dizendo que a apropria\u00e7\u00e3o cultural causa um dano imenso \u00e0s pessoas romanis porque a cultura \u00e9 pe\u00e7a constitutiva da identidade de um povo, n\u00e3o \u00e9 fantasia.<\/p>\n\n\n\n<p>As participantes do evento tamb\u00e9m fizeram uma homenagem \u00e0s fam\u00edlias sobreviventes do holocausto, inclusive \u00e0quelas que buscaram ref\u00fagio no Brasil. A integrante do grupo sinti e doutora em literatura pela Universidade Nacional de Bras\u00edlia (UNB), V\u00f3ria Stafanovsky, explicou como neta de sobrevivente que esse epis\u00f3dio tr\u00e1gico do passado transformou e deformou as fam\u00edlias que at\u00e9 hoje sofrem com as consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto Elisa Costa, presidente da AMSK, afirmou que para obter mudan\u00e7as concretas, \u00e9 fundamental ter mulheres romanis ocupando cargos e liderando espa\u00e7os de poder e de decis\u00e3o tanto no Estado como nos organismos internacionais, principalmente naqueles que desenvolvem projetos vinculados a tem\u00e1tica. Outro tema importante levantado pelos participantes foi a import\u00e2ncia das constru\u00e7\u00f5es de redes de apoio e de prote\u00e7\u00e3o para mulheres romanis.<\/p>\n\n\n\n<p>Yuri Costa, defensor p\u00fablico federal, reafirmou o compromisso de mais de dez anos da Defensoria P\u00fablica da Uniao (DPU) com os povos romanis e ressaltou contribui\u00e7\u00f5es recentes que esta institui\u00e7\u00e3o ofereceu para a pauta. O primeiro foi a atua\u00e7\u00e3o administrativa da DPU para que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (IBAMA) reconhecesse o povo cigano como parte dos \u201cpovos e comunidades tradicionais\u201d. Este reconhecimento ocorreu em 2024. A segunda diz respeito \u00e0s sugest\u00f5es que a DPU realizou, a partir de discuss\u00f5es que empreendeu com a sociedade civil, de altera\u00e7\u00e3o de um projeto de lei que cria o Estatuto dos Povos Ciganos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o Estatuto, as mulheres participantes do evento pediram para que suas vozes sejam escutadas, que as suas necessidades sejam realmente contempladas, de acordo com a conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT. Leda Oliveira, mulher romani e estudante de mestrado na UNB, foi enf\u00e1tica ao afirmar que o Estatuto deve garantir que todas as mulheres romanis frequentem as escolas de acordo com o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, sem exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2006, celebra-se oficialmente todos os 24 de maio o Dia Nacional do Povo Cigano no Brasil. Este ano \u00e9 particularmente especial, pois tamb\u00e9m marca os 80 anos do Holocausto Romani, durante o qual estima-se que cerca de 500 mil pessoas romanis foram assassinadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o Representante da ONU Direitos Humanos para a Am\u00e9rica do Sul, Jan Jarab, \u201cesta data \u00e9 uma oportunidade \u00edmpar para refletir sobre esse passado sombrio e seu impacto no presente. Ela tamb\u00e9m nos convoca a fortalecer a luta contra o anticiganismo, uma forma espec\u00edfica de racismo dirigida ao povo romani, alinhando-nos aos objetivos da Agenda 2030. As mulheres, cujas mem\u00f3rias foram duplamente silenciadas, desempenham um papel central nesse processo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>FIM<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Saiba mais<\/strong><strong><em><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Na \u00edntegra: discurso do Representante da ONU Direitos Humanos para a Am\u00e9rica do Sul, Jan Jarab: LINK<\/em><\/li>\n\n\n\n<li><em>Conhe\u00e7a o Mapa da Mem\u00f3ria Romani nas Am\u00e9ricas, clicando <\/em><a href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/en\/calls-for-input\/2023\/call-inputs-romani-memory-map-americas\"><em>aqui.<\/em><\/a><em> A chamada para novas contribui\u00e7\u00f5es est\u00e1 aberta at\u00e9 o dia 15 de julho.<\/em><\/li>\n\n\n\n<li><em>Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre as a\u00e7\u00f5es da ONU Direitos Humanos relacionadas ao povo romani, <\/em><a href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/en\/minorities\/advancing-roma-inclusion\"><em>clique aqui<\/em><\/a><em>.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Se preocupa com o mundo em que vivemos? Ent\u00e3o DEFENDA os direitos\u00a0<\/em><br><em>de algu\u00e9m hoje.\u00a0#Standup4humanrights e acesse\u00a0<\/em><br><a href=\"http:\/\/www.standup4humanrights.org\/\">http:\/\/www.standup4humanrights.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BRAS\u00cdLIA (24 de maio de 2024) &#8211; Com o objetivo de unir for\u00e7as para enfrentar a discrimina\u00e7\u00e3o contra o povo cigano\/romani, a ONU Direitos Humanos para a Am\u00e9rica do Sul, em colabora\u00e7\u00e3o com organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, organizou o encontro \u201c80 anos do Holocausto Romani &#8211; Mulheres, Mem\u00f3ria e Viol\u00eancia no Brasil\u201d. 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