{"id":64031,"date":"2020-10-26T10:38:30","date_gmt":"2020-10-26T13:38:30","guid":{"rendered":"http:\/\/acnudh.org\/?p=64031"},"modified":"2020-11-05T18:28:44","modified_gmt":"2020-11-05T21:28:44","slug":"somos-iguais-na-diferenca-e-e-isso-que-nos-torna-humanos-e-maravilhosos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acnudh.org\/pt-br\/somos-iguais-na-diferenca-e-e-isso-que-nos-torna-humanos-e-maravilhosos\/","title":{"rendered":"&#8220;Somos iguais na diferen\u00e7a e \u00e9 isso que nos torna humanos e maravilhosos&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align:center\">Um sincero e potente depoimento que serve de alerta: <br> \u00e9 preciso defender os Direitos Humanos de pessoas intersexo.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>\u201cEu fui socializada como uma pessoa pertencente ao g\u00eanero masculino, visto que tinha um p\u00eanis. O m\u00e9dico orientou minha fam\u00edlia dizendo que o atraso no desenvolvimento do \u00f3rg\u00e3o era transit\u00f3rio, e que em breve tudo estaria normalizado. No m\u00e1ximo, segundo ele, futuramente eu teria de recorrer a um procedimento cir\u00fargico ou hormonal. Entretanto, a promessa do m\u00e9dico de que aquelas caracter\u00edsticas desapareciam com o tempo n\u00e3o se cumpriu: as coisas s\u00f3 foram piorando e a minha feminilidade ficando cada vez mais evidente.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o in\u00edcio do\npotente e sincero depoimento de Camila (nome fict\u00edcio), de 30 anos, uma pessoa\nintersexo que, desde o seu nascimento, enfrentou a estigmatiza\u00e7\u00e3o marcada pelo\npreconceito, a discrimina\u00e7\u00e3o e a falta de informa\u00e7\u00e3o sobre sua sexualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Pessoas intersexo\nnascem com caracter\u00edsticas sexuais f\u00edsicas \u2014 como anatomia sexual, \u00f3rg\u00e3os\nreprodutivos, padr\u00f5es hormonais e\/ou padr\u00f5es cromoss\u00f4micos \u2014 que n\u00e3o se\nenquadram nas defini\u00e7\u00f5es t\u00edpicas para corpos masculinos ou femininos. Em alguns\ncasos, caracter\u00edsticas intersexuais s\u00e3o vis\u00edveis no nascimento, enquanto outras\nn\u00e3o s\u00e3o aparentes at\u00e9 a puberdade. Algumas varia\u00e7\u00f5es cromoss\u00f4micas intersexuais\npodem n\u00e3o ser fisicamente aparentes. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo\nespecialistas, entre 0,05% e 1,7% da popula\u00e7\u00e3o nasce com caracter\u00edsticas\nintersexuais. Como seus corpos s\u00e3o vistos como diferentes, crian\u00e7as e adultos\nintersexo s\u00e3o frequentemente estigmatizados e sujeitos a m\u00faltiplas viola\u00e7\u00f5es de\ndireitos humanos, incluindo viola\u00e7\u00f5es de seus direitos \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 integridade\nf\u00edsica, a ser livre de tortura e de maus tratos, e \u00e0 igualdade e \u00e0 n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O relato feito por Camila mostra como pode ser dif\u00edcil para uma pessoa intersexo ter de enfrentar esses desafios \u2014 que podem partir de dentro casa, na escola, na rua e at\u00e9 mesmo em consult\u00f3rios m\u00e9dicos. Leia a \u00edntegra de seu depoimento:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ilustra2-580x516.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-64032\" width=\"800\" height=\"712\" srcset=\"https:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ilustra2-580x516.png 580w, https:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ilustra2-400x356.png 400w, https:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ilustra2.png 1257w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>\u201cMe lembro de muitas coisas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0&nbsp;minha percep\u00e7\u00e3o do genital e essa disforia de g\u00eanero [forte identifica\u00e7\u00e3o com o g\u00eanero oposto] que eu sentia. Tenho lembran\u00e7as desde meus 3 anos de idade!&nbsp;Mas foi na adolesc\u00eancia&nbsp;que tudo piorou. Essa foi a pior fase da minha vida. Nunca conheci uma cidade t\u00e3o transf\u00f3bica e interf\u00f3bica essa que me desenvolvi. Nessa fase, minha apar\u00eancia f\u00edsica e minha forma de me comportar e de me relacionar era feminina, e as pessoas da cidade me notavam de maneira diferente, o que resultou em in\u00fameras persegui\u00e7\u00f5es, com in\u00fameros apelidos pejorativos \u2014 como \u2018travequinho\u2019, \u2018bichinha\u2019, \u2018veadinho\u2019 e \u2018boiolinha\u2019. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>No col\u00e9gio, durante o ensino fundamental, eu era perseguida de todas as maneiras poss\u00edveis. Seja por conta da minha apar\u00eancia, seja pela minha forma de agir. Os meninos da escola me xingavam, cuspiam em mim e me assediavam sexualmente, passando a m\u00e3o no meu corpo para ver se eu tinha \u2018pepeca\u2019 ou \u2018pipi\u2019. Por causa essa viol\u00eancia, eu evitava frequentar o banheiro masculino, pois se estivesse neste espa\u00e7o, sofreria mais. O problema era que isso n\u00e3o se restringia somente aos meninos. As meninas tamb\u00e9m implicavam comigo, e muitas vezes eu era alvo de amea\u00e7as. Queriam jogar goma de mascar em meu cabelo. Diziam que meu cabelo era muito bonito e como menino aquilo n\u00e3o podia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ilustra3-580x430.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-64034\" width=\"818\" height=\"606\" srcset=\"https:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ilustra3-580x430.png 580w, https:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ilustra3-400x297.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 818px) 100vw, 818px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<blockquote style=\"text-align:center\" class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>\u201cOs meninos da escola me xingavam, cuspiam em mim e me assediavam sexualmente\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>Quando fui levada ao m\u00e9dico e ele fez exames, foi detectado um d\u00e9ficit de testosterona. Da\u00ed no hospital fiz mais exames que detectaram minha falta de produ\u00e7\u00e3o de testosterona pelos test\u00edculos. Muito provavelmente, o m\u00ednimo de testosterona que eu tinha era produzida pelas adrenais, gl\u00e2ndulas que ficam acima dos rins e que, em homens e mulheres, tamb\u00e9m produzem testosterona. Estes eram est\u00e9reis, ou seja, n\u00e3o funcionavam. Nesse momento o m\u00e9dico disse que o tratamento era f\u00e1cil. Que s\u00f3 precisaria fazer uma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica para adequar meu p\u00eanis \u2014&nbsp;que os m\u00e9dicos entendiam como fora do padr\u00e3o \u2014 e o restante seria tratado com testosterona, que eu teria de tomar para a vida toda, pois assim, segundo ele, eu teria um p\u00eanis \u2018normal\u2019. Eu, com todo esse sofrimento interno e n\u00e3o querendo aquilo, e eles ainda queriam que [o p\u00eanis] ficasse grande? Como assim? Mas \u00f3bvio que fugi com muito custo, inclusive com dificuldades para sa\u00fade e para encontrar algu\u00e9m que me atendesse. Acabei recorrendo \u00e0 automedica\u00e7\u00e3o.  <\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>Com meus 14 anos iniciei minha&nbsp;TH&nbsp;[terapia hormonal] com estrog\u00eanios e, como eu n\u00e3o tinha presen\u00e7a significativa de nenhum dos horm\u00f4nios sexuais, foi um \u2018boom\u2019 quando iniciei a terapia. Meu corpo se desenvolveu rapidamente. Meus seios terminaram de se desenvolver e meu corpo tamb\u00e9m: quadril largo, os ossos, suas estruturas e a musculatura. At\u00e9 meu exame de sangue, que tem os n\u00edveis celulares de homens e mulheres, estavam todos no feminino e n\u00e3o mais nos n\u00edveis infantis como costumavam estar. Como n\u00e3o poderia ser diferente, havia nessa \u00e9poca alunos que me conheciam de antes (do ensino fundamental). Minha troca de roupas foi bem nesse per\u00edodo. Da\u00ed come\u00e7ou a sess\u00e3o humilha\u00e7\u00e3o \u2014 algo que n\u00e3o falta na vida de uma pessoa trans e intersexo. Ganhei o apelido de \u2018Bernadete\u2019, em refer\u00eancia \u00e0 personagem de uma novela que ia ao ar naquela \u00e9poca [\u2018Chocolate com Pimenta\u2019]. Fizeram bandeiras escrito \u2018BERNADETE\u2019, constru\u00edram uma c\u00e2mera e quando eu chegava na escola, come\u00e7avam a ir atr\u00e1s de mim, como se fossem entrevistar a \u2018Bernadete\u2019 da escola. E isso n\u00e3o parou a\u00ed: nesse primeiro momento, muitos alunos me xingavam, jogavam coisas em mim, tentavam acertar goma de mascar em meu cabelo, entre outras coisas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>At\u00e9 que um dia precisei usar o banheiro. N\u00e3o aguentava mais ficar toda vez segurando e, quando usei o feminino, para evitar o ass\u00e9dio dos guris do banheiro masculino, invadiram o espa\u00e7o, instigados por um grupo de meninas que me viram entrar. Entraram e tentaram me tirar a for\u00e7a do banheiro e at\u00e9 arrancar minha roupa para verificar o que realmente eu era, mas foram contidos por outras meninas que estavam no banheiro e me protegeram para que&nbsp;n\u00e3o fizessem isso comigo. Me emociono ao lembrar disso, sabe?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>A escola n\u00e3o sabia muito como lidar com a quest\u00e3o, ent\u00e3o, me tratavam no masculino \u2014&nbsp;mesmo meu nome sendo amb\u00edguo \u2014, at\u00e9 eu conseguir ser tratada no feminino. Ah! E eu n\u00e3o podia esquecer que, logo ap\u00f3s estes acontecimentos, a dire\u00e7\u00e3o da escola interveio dizendo que as pessoas deveriam ser respeitadas como s\u00e3o. Contudo, eles mesmos me entendiam&nbsp;como uma pessoa homossexual.<\/em><\/p>\n\n\n\n<blockquote style=\"text-align:center\" class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>\u201cTentaram me tirar a for\u00e7a do banheiro e at\u00e9 arrancar minha roupa para verificar o que realmente eu era.\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>No bairro, eu j\u00e1 bem feminina, a viol\u00eancia s\u00f3 aumentou. Na rua, as pessoas me perseguiam, jogavam pedras quando eu passava, recebia olhares de reprova\u00e7\u00e3o na rua, no \u00f4nibus, no posto de sa\u00fade. Recebia cusparadas de muitas senhoras, senhores e jovens. Al\u00e9m dos xingamentos de \u2018traveco\u2019 e \u2018aberra\u00e7\u00e3o\u2019. O que mais me espantava nisso tudo era que muitos meninos, que me humilhavam publicamente, queriam ter rela\u00e7\u00e3o afetivo-sexual comigo escondidos.&nbsp;Faziam proposta de encontros secretos, perguntavam sobre meu genital e sobre meu \u2018dote\u2019 e \u00e9 obvio que eu fugia, n\u00e9. Isso acontecia no col\u00e9gio, na rua, em todos os espa\u00e7os que eu frequentava. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s meninas, n\u00e3o entendia o porqu\u00ea daquela discrimina\u00e7\u00e3o. Eu estava totalmente feminina e elas n\u00e3o aceitavam isso, queriam me rebaixar, era lament\u00e1vel. Chegou um momento em que parei de andar sozinha no bairro, pois era imposs\u00edvel devido a todas as viol\u00eancias que sofria. Eu chamava meus poucos amigos(as) para me acompanharem nos lugares, quando algum familiar n\u00e3o podia ir comigo. At\u00e9 mesmo na padaria tinha que ir com algu\u00e9m para n\u00e3o sofrer viol\u00eancia f\u00edsica. Meus pais me levavam e a buscavam em todos os lugares. Minha retifica\u00e7\u00e3o dos documentos foi uma coisa que demorou muito tempo para acontecer. Contudo, como&nbsp;eu tinha um nome amb\u00edguo,&nbsp;conseguia passar com certa tranquilidade pela maioria das situa\u00e7\u00f5es que exigiam a apresenta\u00e7\u00e3o de documento.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>Vale lembrar que ainda est\u00e1vamos em 2008,&nbsp;ano do in\u00edcio do processo transexualizador no SUS [Sistema \u00danico de Sa\u00fade, criado por meio da Portaria 1707\/2008]. Eu estava com 18 anos e mais uma vez minha intersexualidade e transexualidade se cruzam, o que de certa forma criou brechas para facilitar minha cirurgia de readequa\u00e7\u00e3o sexual. Por ser intersexual, poderia fazer uma cirurgia antes dos 18 se meus documentos condissessem com o sexo que pretendia. Caso contr\u00e1rio, s\u00f3 depois dos 18 anos. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0&nbsp;transexualidade, que eu tamb\u00e9m apresentava, s\u00f3 podia ser com 21 anos, j\u00e1 que precisaria fazer a transgenitaliza\u00e7\u00e3o [tamb\u00e9m chamada de \u2018redesigna\u00e7\u00e3o sexual\u2019, \u00e9 a cirurgia feita com o objetivo de adequar as caracter\u00edsticas f\u00edsicas e dos \u00f3rg\u00e3os genitais para que uma pessoa possa ter o corpo adequado \u00e0 sua identifica\u00e7\u00e3o sexual]. Como eu disse, a portaria do processo transexualizador tinha acabado de ser aprovada, ent\u00e3o era tudo muito novo no Brasil. Por\u00e9m, a minha cirurgia aconteceu via processo intersexual, mas eu consegui ter o acompanhamento do m\u00e9dico que fazia a transgenitaliza\u00e7\u00e3o do processo transexualizador. Na \u00e9poca,&nbsp;eu&nbsp;tinha 20 anos, quase 21, e em meados de 2010 foi meu novo nascimento: agora, totalmente resignada ao meu sexo verdadeiro, o sexo ps\u00edquico. No mesmo ano ocorreu minha retifica\u00e7\u00e3o dos documentos e agora sou mulher tamb\u00e9m oficialmente nos documentos.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como as pessoas de um modo geral podem apoiar a igualdade para pessoas intersexo?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ilustra4-580x269.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-64036\" width=\"804\" height=\"373\" srcset=\"https:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ilustra4-580x269.png 580w, https:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ilustra4-400x185.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 804px) 100vw, 804px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Assim como Camila, pelo menos 100 mil pessoas s\u00f3 no Brasil podem estar sofrendo as mesmas formas de preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o por possu\u00edrem caracter\u00edsticas intersexuais. O relato dela mostra que todos devemos ter um papel ativo na defesa dos direitos humanos de pessoas intersexo \u2014 por exemplo,&nbsp;denunciando qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o ou viol\u00eancia e espalhando a conscientiza\u00e7\u00e3o de que as pessoas intersexo podem ter qualquer orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero. Esse chamado tamb\u00e9m \u00e9 refor\u00e7ado pela pr\u00f3pria Camila:<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>\u201c[Todos devem apoiar a igualdade para pessoas intersexo] lutando pela liberdade dessas pessoas, tomando consci\u00eancia de que a natureza \u00e9 diversa, apoiando o combate de cirurgias em beb\u00eas intersexo sem o consentimento, al\u00e9m de outros procedimentos m\u00e9dicos que n\u00e3o envolvam autonomia da parte principal.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>Tamb\u00e9m [\u00e9 poss\u00edvel apoiar] por meio do conhecimento e da ci\u00eancia. Desapegar de \u2018fake news\u2019 e not\u00edcias sem embasamento cient\u00edfico. E aos que insistem em fechar os olhos eu gostaria de deixar um recado para aquelas pessoas que se enchem de orgulho em&nbsp;dizer que s\u00f3 existe homem e mulher ou que s\u00f3 existe homens XY e mulheres XX: infelizmente, para voc\u00eas, e felizmente, para todos n\u00f3s, existem, sim, outras varia\u00e7\u00f5es cromoss\u00f4micas, gen\u00e9ticas, hormonais e f\u00edsicas que rompem biologicamente essa vis\u00e3o bin\u00e1ria e preconceituosa de que s\u00f3 existe essa dualidade. Isso \u00e9 uma meia verdade: existem, sim, pessoas intersexuais, e estas podem ou n\u00e3o vivenciar esta situa\u00e7\u00e3o de sua biologia amb\u00edgua.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:right\"><em>Da mesma forma que as pessoas transexuais t\u00eam uma viv\u00eancia de sua identidade de g\u00eanero diferente de seu sexo f\u00edsico e podem ou n\u00e3o realizar a cirurgia \u2014 tudo isso faz parte da exist\u00eancia humana. N\u00f3s, humanos, somos diversos. Mesmo uma pessoa cisg\u00eanera e h\u00e9tero n\u00e3o \u00e9 igual \u00e0 outra. Somos iguais na diferen\u00e7a e \u00e9 isso que nos torna humanos e maravilhosos. N\u00f3s humanos sofremos mudan\u00e7as todos os dias de nossas vidas e isso faz parte do viver. Ent\u00e3o, vamos parar de ter tanto preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o e nos informar, estudar e&nbsp;nos colocar no lugar do outro. Vamos ter mais empatia!\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ilustra5-580x473.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-64038\" width=\"828\" height=\"675\" srcset=\"https:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ilustra5-580x473.png 580w, https:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ilustra5-400x326.png 400w, https:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ilustra5.png 1854w\" sizes=\"auto, (max-width: 828px) 100vw, 828px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><em>Ilustra\u00e7\u00f5es: Hugo\nde Carvalho<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um sincero e potente depoimento que serve de alerta: \u00e9 preciso defender os Direitos Humanos de pessoas intersexo. \u201cEu fui socializada como uma pessoa pertencente ao g\u00eanero masculino, visto que tinha um p\u00eanis. 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