{"id":63789,"date":"2020-09-16T10:20:07","date_gmt":"2020-09-16T13:20:07","guid":{"rendered":"http:\/\/acnudh.org\/?p=63789"},"modified":"2020-09-21T10:42:30","modified_gmt":"2020-09-21T13:42:30","slug":"direitos-humanos-precisam-estar-no-centro-da-atuacao-das-empresas-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acnudh.org\/pt-br\/direitos-humanos-precisam-estar-no-centro-da-atuacao-das-empresas-na-pandemia\/","title":{"rendered":"Direitos humanos precisam estar no centro da atua\u00e7\u00e3o das empresas na pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Sess\u00e3o organizada pelo Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) e a Rede Brasil do Pacto Global discutiu, na quinta (10), o papel das empresas no enfrentamento da COVID-19 sob a perspectiva dos direitos humanos. A mesa contou com a participa\u00e7\u00e3o de representantes do setor privado e da sociedade civil<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>16 de setembro de 2020 &#8211; A quinta edi\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vfororegional.org\/?locale=pt\">F\u00f3rum Regional de Empresas e Direitos Humanos para Am\u00e9rica Latina e o Caribe<\/a>\u00a0trouxe para um plen\u00e1rio virtual, entre os dias 7 e 11 de setembro, uma s\u00e9rie de debates com a proposta de transformar desafios em oportunidades na busca de uma conduta empresarial respons\u00e1vel em tempos dif\u00edceis como o que vivemos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que a economia global \u00e9 atingida por uma enorme crise, os impactos no direito de condi\u00e7\u00f5es justas e favor\u00e1veis de trabalho s\u00e3o um desafio a todos. Esses desafios evoluir\u00e3o com o tempo e \u00e9 importante que as empresas desenvolvam um pensamento claro sobre maneiras de conduzir os neg\u00f3cios com responsabilidade durante e ap\u00f3s a crise.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, entre os diversos pain\u00e9is realizados no F\u00f3rum, uma sess\u00e3o organizada pelo Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos (<a href=\"http:\/\/acnudh.org\/pt-br\">ACNUDH<\/a>) e a Rede Brasil do Pacto Global discutiu, na quinta (10), o papel das empresas no enfrentamento da COVID-19 sob a perspectiva dos direitos humanos. A mesa contou com a participa\u00e7\u00e3o de representantes do setor privado e da sociedade civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Juliana Ramalho, coordenadora da plataforma de a\u00e7\u00e3o pelos direitos humanos do Pacto Global e mediadora do evento, abriu o debate citando a Alta Comiss\u00e1ria das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Michelle Bachelet, que destacou que os \u201cos direitos humanos precisam estar na frente e no centro da resposta ao COVID-19\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao tratar sobre os desafios enfrentados pelas empresas em quest\u00f5es de direitos humanos no momento atual, a CEO da Ben&amp;Jerry\u2019s no Brasil, Adriana Castro, afirmou que a pandemia \u201cexp\u00f4s quest\u00f5es estruturais e estruturantes que mostram e amplificam as fissuras sociais criadas como consequ\u00eancias das divis\u00f5es econ\u00f4micas, culturais, \u00e9tnicas, sociais, raciais, que j\u00e1 existiam na Am\u00e9rica Latina\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a executiva, esse \u00e9 o momento de provocar de forma profunda a reflex\u00e3o sobre o papel das empresas na promo\u00e7\u00e3o dos direitos humanos: \u201cN\u00e3o podemos mais nos restringir ao assistencialismo simplesmente. \u00c9 uma discuss\u00e3o que precisa evoluir para a justi\u00e7a social e a prosperidade social.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o dos direitos humanos como um tema amplo que n\u00e3o pode se restringir apenas aos limites das empresas, mas que deve alcan\u00e7ar tamb\u00e9m as diversas dimens\u00f5es de impacto da cadeia produtiva tamb\u00e9m foi um dos temas chave do debate.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s sentimos falta de que as empresas olharem para os diferentes grupos. \u00c9 importante que elas adotem a devida dilig\u00eancia em suas cadeias,\u201d pontuou a representando da sociedade civil no debate, Julia Neiva, que \u00e9 coordenadora de desenvolvimento e direitos socioambientais da Conectas.<\/p>\n\n\n\n<p>Andreza Souza, gerente de sustentabilidade da Natura, lembra que as empresas que t\u00eam uma depend\u00eancia muito grande de pessoas em suas atividades enfrentam um grande desafio que demanda reavalia\u00e7\u00e3o de todos os processos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo caso da nossa empresa, temos quase 4 milh\u00f5es de colaboradoras e consultoras no grupo em toda a Am\u00e9rica Latina. A nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 cuidar n\u00e3o s\u00f3 dessa rede, mas tamb\u00e9m pensar como podemos contribuir com a sociedade toda envolvida, dos fornecedores aos consumidores, mas sobretudo aqueles em maior risco e vulnerabilidade,\u201d afirmou. \u201cIsso demanda novos processos, articula\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de parcerias para realizar um trabalho mais significativo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Julia Neiva chamou a aten\u00e7\u00e3o para as quest\u00f5es do racismo estrutural, do sexismo e das desigualdades sociais que caracterizam a sociedade brasileira, e que ficaram ainda mais expostas no contexto atual.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela refor\u00e7ou que as mulheres \u2014&nbsp;sobretudo as negras, ind\u00edgenas e trabalhadoras rurais \u2014 est\u00e3o entre as mais afetadas, pois ocupam posi\u00e7\u00f5es de alta exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus, muitas vezes sem qualquer estrutura de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade. \u201cA mulher negra \u00e9 uma das mais impactadas pela pandemia. A taxa de mortalidade dos ind\u00edgenas \u00e9 muito maior que das outras camadas da popula\u00e7\u00e3o,\u201d destacou.<\/p>\n\n\n\n<p>As debatedoras abordaram ainda o tema da viol\u00eancia contra a mulher e como as empresas devem ter um papel fundamental tamb\u00e9m nesse sentido: empregar mulheres em todas as \u00e1reas e pagar sal\u00e1rios dignos e equiparados, por exemplo, \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de garantir a elas a sua autonomia financeira e evitar a depend\u00eancia de seus violadores. Adriana Castro citou as insterseccionalidades das diversas camadas de preconceito \u00e0s quais s\u00e3o submetidas as mulheres para refor\u00e7ar que companhias devem tomar medidas efetivas para combat\u00ea-las.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Julia Neiva, o papel das empresas na defesa e prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos vai al\u00e9m de apenas promover a\u00e7\u00f5es internas. \u201cElas t\u00eam o dever de pressionar o poder p\u00fablico para que atue de forma respons\u00e1vel, a fim de proteger os instrumentos existentes de prote\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais em toda a sociedade,\u201d concluiu.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sobre o F\u00f3rum Regional<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O F\u00f3rum Regional para Am\u00e9rica Latina e o Caribe \u00e9 organizado pelo Escrit\u00f3rio do&nbsp;<a href=\"http:\/\/acnudh.org\/pt-br\">Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH)<\/a>&nbsp;para a Am\u00e9rica Central e pelo Grupo de Trabalho sobre Empresas e Direitos Humanos das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n\n\n\n<p>O F\u00f3rum \u00e9 organizado em colabora\u00e7\u00e3o com a Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) e apoiado pela Uni\u00e3o Europ\u00e9ia (UE), sob o projeto Conduta Empresarial Respons\u00e1vel na Am\u00e9rica Latina e no Caribe (CERALC).<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto RBCLAC visa promover pr\u00e1ticas respons\u00e1veis de conduta empresarial em linha com as normas internacionais, incluindo os Princ\u00edpios Orientadores das ONU sobre Empresas e Direitos Humanos (UNGPs), as Diretrizes da OCDE para Empresas Multinacionais e a Declara\u00e7\u00e3o Tripartite de Princ\u00edpios sobre Empresas Multinacionais e Pol\u00edtica Social da OIT.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira sess\u00e3o do F\u00f3rum foi realizada em Medell\u00edn, Col\u00f4mbia, em 2013. Desde ent\u00e3o, o F\u00f3rum tornou-se a principal plataforma multi-stakeholder de interc\u00e2mbio de boas pr\u00e1ticas e aprendizagem entre pares em rela\u00e7\u00e3o aos direitos humanos e atividades empresariais na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Como nos anos anteriores, os debates do F\u00f3rum Regional ser\u00e3o alimentados na 9\u00aa sess\u00e3o do F\u00f3rum das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos, a ser realizada de 16 a 18 de novembro de 2020 em Genebra, que se concentrar\u00e1 nas a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para promover o respeito corporativo aos direitos humanos, com um foco especial nas a\u00e7\u00f5es preventivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"ONU Brasil (abre en una nueva pesta\u00f1a)\" href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/91213-direitos-humanos-precisam-estar-no-centro-da-atuacao-das-empresas-na-pandemia\" target=\"_blank\">ONU Brasil<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:center\">Preocupado\/a com o mundo em que vivemos? Ent\u00e3o LEVANTE-SE para os direitos de algu\u00e9m hoje.\u00a0 #Standup4humanrights e visite a p\u00e1gina web em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.standup4humanrights.org\/\">http:\/\/www.standup4humanrights.org<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sess\u00e3o organizada pelo Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) e a Rede Brasil do Pacto Global discutiu, na quinta (10), o papel das empresas no enfrentamento da COVID-19 sob a perspectiva dos direitos humanos. 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