{"id":58012,"date":"2019-03-14T20:03:21","date_gmt":"2019-03-14T23:03:21","guid":{"rendered":"http:\/\/acnudh.org\/?p=58012"},"modified":"2019-07-19T14:54:22","modified_gmt":"2019-07-19T18:54:22","slug":"viuva-da-vereadora-marielle-franco-promete-continuar-a-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acnudh.org\/pt-br\/viuva-da-vereadora-marielle-franco-promete-continuar-a-luta\/","title":{"rendered":"Vi\u00fava da vereadora Marielle Franco promete continuar a luta"},"content":{"rendered":"\n<p>14 de mar\u00e7o de 2019 &#8211; Um ano atr\u00e1s, Monica Benicio perdeu o amor de sua\nvida. Na noite do 14 de mar\u00e7o de 2018, sua companheira Marielle Franco \u2013\nintegrante da C\u00e2mara Municipal do Rio de Janeiro \u2013 foi baleada e morta com\nquatro tiros na cabe\u00e7a enquanto voltava para casa, ap\u00f3s participar em um evento\np\u00fablico chamado \u201cJovens Negras Movendo Estruturas\u201d. O assassinato tamb\u00e9m tirou\na vida de seu motorista, Anderson Gomes.<\/p>\n\n\n\n<p>Franco era uma cr\u00edtica declarada da brutalidade\npolicial e uma defensora dos direitos das mulheres, pessoas LGBTI e jovens das\nperiferias urbanas de sua cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos meses, temos visto Monica Benicio usar a mesma camiseta de campanha em homenagem a sua falecida parceira. Nela, \u201cLute como Marielle Franco\u201d est\u00e1 inscrito como um novo lema para os milhares de partid\u00e1rios de Franco.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu vejo um futuro de esperan\u00e7a. Ele tem, obviamente,\nmuita resist\u00eancia, n\u00e3o ser\u00e1 constru\u00eddo sem muita luta, mas espero que,\ndiferente do que a gente tem em todo momento da nossa hist\u00f3ria, que ele seja\ncom menos sangue\u201d, conta Benicio. \u201cEssa \u00e9 a luta do movimento feminista. \u00c9 a\nluta por uma sociedade mais justa e mais igualit\u00e1ria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>No final de fevereiro, durante a \u00faltima sess\u00e3o do\nConselho de Direitos Humanos da ONU, Benicio esteve em Genebra para falar sobre\na situa\u00e7\u00e3o das mulheres defensoras dos direitos humanos no Brasil, \u201ce buscar\najuda internacional para que o mundo saiba o que est\u00e1 acontecendo no Brasil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses defensores, como a falecida Marielle Franco, foram v\u00edtimas de humilha\u00e7\u00e3o p\u00fablica, ass\u00e9dio na Internet, amea\u00e7as de morte e at\u00e9 assassinatos, segundo um novo <a href=\"http:\/\/ap.ohchr.org\/documents\/dpage_e.aspx?si=A\/HRC\/40\/60\">relat\u00f3rio de especialistas da ONU<\/a>. Em 2017, 65 defensores dos direitos humanos do Brasil\nteriam sido mortos, de acordo com a ONG Front Line Defenders. A pr\u00f3pria Benicio\nrecebeu s\u00e9rias amea\u00e7as \u00e0 sua pr\u00f3pria vida que a for\u00e7aram a deixar a casa que\ncompartilhava com sua parceira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ser\numa defensora dos direitos humanos<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Arquiteta de profiss\u00e3o e defensora dos direitos humanos, Benicio acredita que \u00e9 fundamental para a comunidade internacional entender que a luta de sua companheira era pelos direitos humanos e contra o racismo, a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e a fobia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas LGBTI.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela diz que a participa\u00e7\u00e3o de grupos marginalizados \u00e9\nfundamental para transformar a sociedade. A minoria no poder pol\u00edtico mas\nmaiorit\u00e1ria em n\u00famero, acrescenta Benicio, n\u00e3o aceita mais uma sociedade\nca\u00f3tica e violenta e vai desconstru\u00ed-la com resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente tem se articulado cada vez mais. Eu acho que,\ninclusive, a resposta \u00e0 execu\u00e7\u00e3o da Marielle \u2013 onde todas pod\u00edamos ter ficado\nacuadas, sobretudo as mulheres negras, e ter dado um passo atr\u00e1s nas lutas \u2013,\nhouve um movimento completamente reverso a essa tentativa de silenciar o que a\nMarielle representava\u201d, diz Benicio.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres negras no Brasil reagiram ao assassinato\nde Franco ocupando mais espa\u00e7os democr\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando eu olho uma luta de uma mulher quilombola, por\nexemplo, essa luta me inspira. Ent\u00e3o, as vozes dessas minorias, se vistas pelo\ncoletivo, podem ser tamb\u00e9m entendidas como uma inspira\u00e7\u00e3o de luta\u201d, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cS\u00e3o sempre essas minorias que buscam falar, n\u00e3o s\u00f3\npor si, mas por uma constru\u00e7\u00e3o coletiva. Ent\u00e3o, para mim, serve olhar para\nessas lutas e entender que se isso me inspira, eu tamb\u00e9m quero transformar\u201d,\nacrescenta Benicio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m do luto, a luta<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Marielle Franco lutou para sair das favelas para e se\ntornar uma popular integrante da C\u00e2mara Municipal do Rio de Janeiro. Ela deixou\npara tr\u00e1s uma fam\u00edlia e amigos, bem como outros sobreviventes de viol\u00eancia,\nlidando com a perda de uma jovem no auge de sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 dif\u00edcil seguir depois de tanta viol\u00eancia. Mas eu\nacho que o que ressignifica, na verdade, inclusive a pr\u00f3pria vida, \u00e9 o sentido\nda luta em si\u2026 entender que voc\u00ea precisa colaborar, de alguma forma, em uma\nconstru\u00e7\u00e3o social com solidariedade para que ningu\u00e9m sinta a mesma dor que voc\u00ea\nsentiu\u201d, diz Benicio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso \u00e9 um projeto particular que eu tenho. N\u00e3o querer\nque outra pessoa passe por uma hist\u00f3ria parecida. Ent\u00e3o, quando eu penso que a\nminha luta pode evitar que isso aconte\u00e7a, ela me ajuda a seguir.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do assassinato de Franco, protestos em todo o\nmundo denunciaram seu assassinato. No primeiro anivers\u00e1rio de sua morte,\nprotestos locais e homenagens continuam. O mesmo acontece com a investiga\u00e7\u00e3o\nsobre o assassinato de Franco: em 12 de mar\u00e7o de 2019, dois ex-policiais\nsuspeitos de participar do crime foram presos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTransformar a sociedade no que ela lutava, no que ela\nacreditava. Ent\u00e3o, de certa forma, para mim, \u00e9 tamb\u00e9m uma maneira de continuar\ncom ela. E dizer tamb\u00e9m para pessoas que passaram por viol\u00eancias e dores\nparecidas, que a gente tem, sim, motivo para seguir. Porque sen\u00e3o a gente vai\ndizer que a vida dos nossos que foram retiradas, foram em v\u00e3o e isso para mim \u00e9\ninadmiss\u00edvel\u201d, diz Ben\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cRessignificar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria em um movimento de\nluta \u00e9 tamb\u00e9m um ato de solidariedade e transforma\u00e7\u00e3o social; \u00e9 tamb\u00e9m um ato\nde luta pelas pautas dos direitos humanos. Esse \u00e9 o legado de Marielle. \u00c9\nisso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: <\/em><a href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/EN\/NewsEvents\/Pages\/MonicaBenicio.aspx\"><em>ACNUDH<\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o: <\/em><a href=\"http:\/\/acnudh.org\/pt-br\"><em>ACNUDH Am\u00e9rica do Sul<\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>V\u00cdDEO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fg187qRv8Kc\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>ONU Direitos Humanos \u2013 Am\u00e9rica do Sul<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Facebook:<\/strong>&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/ONUdh\">www.facebook.com\/ONUdh<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Twitter:<\/strong>&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/ONU_derechos\">www.twitter.com\/ONU_derechos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>YouTube:<\/strong>&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/onuderechos\">www.youtube.com\/onuderechos<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>14 de mar\u00e7o de 2019 &#8211; Um ano atr\u00e1s, Monica Benicio perdeu o amor de sua vida. 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