{"id":28857,"date":"2016-05-04T19:29:12","date_gmt":"2016-05-04T19:29:12","guid":{"rendered":"http:\/\/acnudh.org\/?p=28857"},"modified":"2021-05-18T11:51:30","modified_gmt":"2021-05-18T15:51:30","slug":"nota-publica-do-alto-comissariado-de-direitos-humanos-das-nacoes-unidas-para-america-do-sul-e-da-onu-mulheres-brasil-sobre-o-assassinato-de-luana-reis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acnudh.org\/pt-br\/nota-publica-do-alto-comissariado-de-direitos-humanos-das-nacoes-unidas-para-america-do-sul-e-da-onu-mulheres-brasil-sobre-o-assassinato-de-luana-reis\/","title":{"rendered":"Nota p\u00fablica do Alto Comissariado de Direitos Humanos das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Am\u00e9rica do Sul e da ONU Mulheres Brasil sobre o assassinato de Luana Reis"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/acnudh.org\/pt-br\/nota-publica-do-alto-comissariado-de-direitos-humanos-das-nacoes-unidas-para-america-do-sul-e-da-onu-mulheres-brasil-sobre-o-assassinato-de-luana-reis\/onumulheresacnudh\/\" rel=\"attachment wp-att-28858\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-28858\" src=\"http:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/onumulheresacnudh-e1462390082366-110x110.jpg\" alt=\"Foto: ACNUDH\" width=\"110\" height=\"110\"><\/a>BRAS\u00cdLIA\/SANTIAGO (04 de maio de 2016) &#8211; A <a href=\"http:\/\/www.onumulheres.org.br\/\">ONU Mulheres Brasil<\/a> e o Escrit\u00f3rio Regional para Am\u00e9rica do Sul do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (<a href=\"http:\/\/acnudh.org\/pt.br\">ACNUDH<\/a>)&nbsp;solicitam ao poder p\u00fablico brasileiro a investiga\u00e7\u00e3o imparcial e com perspectiva de g\u00eanero e ra\u00e7a, na elucida\u00e7\u00e3o das viol\u00eancias cometidas contra Luana Reis, morta ap\u00f3s espancamentos supostamente perpetrados pela Pol\u00edcia Militar, no in\u00edcio do m\u00eas de abril de 2016, na cidade de Ribeir\u00e3o Preto (SP).<\/p>\n<p>De acordo com o relato da pr\u00f3pria v\u00edtima -antes do seu tr\u00e1gico falecimento- e de seus familiares, h\u00e1 fortes ind\u00edcios das pr\u00e1ticas de sexismo, racismo e lesbofobia nos acontecimentos que levaram \u00e0 sua morte, em uma perversa viola\u00e7\u00e3o de direitos que segue na contram\u00e3o das garantias individuais e coletivas conquistadas pelas mulheres no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p>O ACNUDH e a ONU Mulheres enfatizam que o uso excessivo da for\u00e7a, bem como qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o \u2013seja &nbsp;por g\u00eanero, ra\u00e7a, etnia, orienta\u00e7\u00e3o sexual ou de outra natureza-, s\u00e3o inadmiss\u00edveis no exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o policial e devem ser erradicados das for\u00e7as de ordem do Brasil. A Pol\u00edcia Militar de S\u00e3o Paulo deve garantir que procedimentos violentos n\u00e3o sejam tolerados na institui\u00e7\u00e3o e assegurar um treinamento adequado de seus agentes, inclusive em mat\u00e9ria de direitos humanos.<\/p>\n<p>A morte de Luana \u00e9 um caso emblem\u00e1tico da preval\u00eancia e gravidade da viol\u00eancia racista, de g\u00eanero e lesbof\u00f3bica no Brasil. Segundo a Relatora Especial da ONU sobre quest\u00f5es de minorias, o n\u00famero de afrodescendentes mortos em a\u00e7\u00f5es policiais \u00e9 tr\u00eas vezes maior do registrado entre a popula\u00e7\u00e3o branca no estado de S\u00e3o Paulo.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> A situa\u00e7\u00e3o das mulheres afrodescendentes nesse contexto \u00e9 de ainda maior vulnerabilidade. O Mapa da Viol\u00eancia (2015) revela a seletividade da viol\u00eancia, demonstrando que entre 2003 e 2013 as mortes violentas de mulheres negras aumentaram 54%, enquanto houve uma redu\u00e7\u00e3o de 9,2% entre a popula\u00e7\u00e3o feminina branca.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>S\u00e3o inaceit\u00e1veis quaisquer alega\u00e7\u00f5es para justificar as viol\u00eancias que vitimaram fatalmente Luana, as quais evidenciam a coniv\u00eancia e\/ou a impunidade com agressores quer sejam agentes p\u00fablicos ou indiv\u00edduos particulares. A responsabiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o primeira para a justi\u00e7a e para a repara\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas das viol\u00eancias de g\u00eanero, para a prote\u00e7\u00e3o de familiares em busca de direitos e para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade plural e equitativa.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">Nesse sentido, a ONU Mulheres e o ACNUDH instam a aplica\u00e7\u00e3o das <\/span><a style=\"line-height: 1.5;\" href=\"http:\/\/www.onumulheres.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/diretrizes_feminicidio_FINAL.pdf\">Diretrizes Nacionais sobre Feminic\u00eddio para Investigar, Processar e Julgar com Perspectiva de G\u00eanero as Mortes Violentas de Mulheres<\/a><span style=\"line-height: 1.5;\">, formuladas por ambas as institui\u00e7\u00f5es, em esfor\u00e7o integrado com o governo brasileiro, por meio do Minist\u00e9rio das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos e do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. As recomenda\u00e7\u00f5es constantes do documento chamam a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que as circunst\u00e2ncias individuais, institucionais e estruturais devem ser levadas em considera\u00e7\u00e3o como elementos para entender o crime e, por conseguinte, para responder adequadamente \u00e0s mortes violentas de mulheres pelo fato de serem mulheres, fazendo, pois, incidir a Lei do Feminic\u00eddio (n\u00ba 13.104\/2015), que \u00e9 um crime cometido em raz\u00e3o de menosprezo e discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher.<\/span><\/p>\n<p>A ONU Mulheres e o ACNUDH fazem em conjunto este alerta p\u00fablico contra a misoginia dirigida \u00e0s mulheres brasileiras, agravadas pelo fato de serem negras, ind\u00edgenas, l\u00e9sbicas, trans, pobres, rurais, jovens e\/ou idosas e pedem \u00e0 sociedade brasileira que se mantenha defensora implac\u00e1vel dos direitos das mulheres e que se posicione, de maneira obstinada e sistem\u00e1tica, contra todas as formas de viol\u00eancia contra todas as mulheres.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">Por fim, solidarizam-se com os familiares e amigos de Luana e oferecem-lhes suas sinceras condol\u00eancias por sua tr\u00e1gica morte.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Amerigo Incalcaterra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Representante Regional para Am\u00e9rica do Sul do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Nadine Gasman<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Representante da ONU Mulheres Brasil<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> A\/HRC\/31\/56\/Add.1, para. 50<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Mapa da Viol\u00eancia, 2015. (FLACSO, MMIRJDH, OPAS E ONU MULHERES)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FIM<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Direitos Humanos da ONU, siga-nos nas redes sociais:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Facebook<\/strong>:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/ONUdh\">www.facebook.com\/ONUdh<\/a><\/p>\n<p><strong>Twitter<\/strong>:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/ONU_derechos\">www.twitter.com\/ONU_derechos<\/a><\/p>\n<p><strong>YouTube<\/strong>:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/onuderechos\">www.youtube.com\/onuderechos<\/a><\/p>\n<p><strong>Flickr<\/strong>:&nbsp;<a 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