{"id":25704,"date":"2015-09-10T14:57:09","date_gmt":"2015-09-10T14:57:09","guid":{"rendered":"http:\/\/acnudh.org\/?p=25704"},"modified":"2015-09-24T19:52:48","modified_gmt":"2015-09-24T19:52:48","slug":"opiniao-com-reducao-de-maioridade-penal-o-brasil-ignora-compromissos-internacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acnudh.org\/pt-br\/opiniao-com-reducao-de-maioridade-penal-o-brasil-ignora-compromissos-internacionais\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: \u201cCom redu\u00e7\u00e3o de maioridade penal, o Brasil ignora compromissos internacionais\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a rel=\"attachment wp-att-25705\" href=\"http:\/\/acnudh.org\/pt-br\/2015\/09\/opiniao-com-reducao-de-maioridade-penal-o-brasil-ignora-compromissos-internacionais\/amerigo-incalcaterra-creditos-para-carlos-vera-acnudh-america-del-sur\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-25705\" title=\"Amerigo Incalcaterra. Cr\u00e9ditos para Carlos Vera-ACNUDH Am\u00e9rica del Sur\" src=\"http:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Amerigo-Incalcaterra.-Cr\u00e9ditos-para-Carlos-Vera-ACNUDH-Am\u00e9rica-del-Sur-e1441896635399-110x108.jpg\" alt=\"\" width=\"110\" height=\"108\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>&#8220;Com redu\u00e7\u00e3o de maioridade penal, o Brasil ignora compromissos internacionais&#8221;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Por Amerigo Incalcaterra (*)<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p>Em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, incluindo o Brasil, tem ressurgido com for\u00e7a a discuss\u00e3o sobre reduzir a maioridade penal e tratar os menores como adultos quando cometem crimes. Os principais argumentos para isso s\u00e3o um suposto aumento da viol\u00eancia juvenil, que os menores de idade n\u00e3o seriam responsabilizados por seus atos ou que as penas que recebem seriam insuficientes.<\/p>\n<p>O cerne da quest\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 mencionado neste debate, \u00e9 se a reduc\u00e3o da maioridade penal \u00e9 efetiva ou n\u00e3o para combater a viol\u00eancia. Nesse sentido, basta dar uma olhada nos regimes penitenci\u00e1rios da regi\u00e3o para entender que mais penas n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de menos crimes, evidenciando o fracasso sistem\u00e1tico das leis e pol\u00edticas restritivas no tema.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, essa discuss\u00e3o infelizmente ignora as obriga\u00e7\u00f5es internacionais de direitos humanos contra\u00eddas pelo Estado. Apenas h\u00e1 umas semanas, durante uma visita oficial ao pa\u00eds, o relator da ONU sobre a Tortura Juan M\u00e9ndez disse que \u201cprocessar adolescentes infratores como adultos violaria as obriga\u00e7\u00f5es do Brasil no \u00e2mbito da Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos da Crian\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Com efeito, esse tratado internacional pro\u00edbe que os menores de 18 anos sejam julgados como adultos e obriga a adotar uma idade m\u00ednima em que o Estado renuncie a punir as crian\u00e7as criminalmente. A Conven\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m disp\u00f5e que seja implementado um sistema de responsabilidade criminal especial para os menores de idade, que garanta a presun\u00e7\u00e3o da inoc\u00eancia e o devido processo legal. Esse regime espec\u00edfico deve estabelecer san\u00e7\u00f5es diferenciadas em rela\u00e7\u00e3o aos adultos, e a priva\u00e7\u00e3o da liberdade deve ser uma medida excepcional e de \u00faltimo recurso.<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o do anterior, no momento de cometer um crime, toda pessoa menor de 18 anos deve receber um tratamento especial no marco dos sistemas de justi\u00e7a penal juvenil, para ser julgada conforme a sua idade. Nesse sentido, \u00e9 falso afirmar que os menores que cometem crimes graves n\u00e3o s\u00e3o responsabilizados por seus atos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, um relat\u00f3rio deste ano do Unicef mostrou que o Brasil \u00e9 o segundo pa\u00eds com maior n\u00famero de homic\u00eddios de crian\u00e7as e adolescentes no mundo \u2013atr\u00e1s apenas da Nig\u00e9ria \u2013 e que 28 crian\u00e7as e adolescentes s\u00e3o assassinados por dia no pa\u00eds. Isso revela que os menores de idade s\u00e3o principalmente v\u00edtimas de delitos graves.<\/p>\n<p>Os 195 Estados do mundo que ratificaram a Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos da Crian\u00e7a, incluindo o Brasil, se comprometeram a adotar todas as medidas legislativas para proteger os menores de idade. Por\u00e9m, a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal contraria esse mandato e n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o nenhuma para o problema da inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p>A C\u00e2mara dos Deputados do Congresso Federal deu um passo na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria aos padr\u00f5es internacionais, aprovando um projeto para reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos para alguns crimes especialmente graves. A ado\u00e7\u00e3o definitiva desta norma comprometeria a responsabilidade internacional do Estado por descumprir o que estabelece a Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos da Crian\u00e7a, e ao Brasil n\u00e3o lhe restaria sen\u00e3o denunciar e se retirar do tratado.<\/p>\n<p>De fato, nos pr\u00f3ximos dias 21 e 22 de setembro, o Comit\u00ea da ONU sobre Direitos da Crian\u00e7a deve revisar a situa\u00e7\u00e3o de direitos humanos dos menores de idade no Brasil e uma delega\u00e7\u00e3o do Estado ir\u00e1 comparecer perante os especialistas internacionais na Su\u00ed\u00e7a, onde dever\u00e1 explicar esse projeto incompat\u00edvel com a Conven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 de esperar, ent\u00e3o, que as discuss\u00f5es no seio da sociedade brasileira, e especialmente a tramita\u00e7\u00e3o do projeto no Senado Federal, levem em conta os compromissos que o Congresso do Brasil assumiu soberanamente quando ratificou os instrumentos internacionais de direitos humanos, e que por tanto se obrigou a respeitar e promover.<\/p>\n<p><em>*Amerigo Incalcaterra \u00e9 Representante Regional para a Am\u00e9rica do Sul do Escrit\u00f3rio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos, ACNUDH (@ONU_derechos)<\/em><\/p>\n<p>FIM<\/p>\n<p><em><span style=\"font-family: Arial, Tahoma, sans-serif; color: #333333;\"><em>Para mais informa\u00e7\u00e3o e pedidos da m\u00eddia, entre em contato com Mar\u00eda Jeannette Moya, Oficial de Informa<\/em><\/span><em>\u00e7\u00e3o P\u00fablica do ACNUDH-Am\u00e9rica do Sul (<a href=\"mmoya@ohchr.org\">mmoya@ohchr.org<\/a> \/ +56 2 2210 2977).<\/em><\/em><\/p>\n<p><strong>Direitos Humanos da ONU, siga-nos nas redes sociais:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Facebook<\/strong>:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/ONUdh\">www.facebook.com\/ONUdh<\/a><\/p>\n<p><strong>Twitter<\/strong>:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/ONU_derechos\">www.twitter.com\/ONU_derechos<\/a><\/p>\n<p><strong>YouTube<\/strong>:\u00a0<a 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