{"id":15146,"date":"2012-07-26T17:42:05","date_gmt":"2012-07-26T17:42:05","guid":{"rendered":"http:\/\/acnudh.org\/?p=15146"},"modified":"2012-08-03T17:50:58","modified_gmt":"2012-08-03T17:50:58","slug":"15146","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acnudh.org\/pt-br\/15146\/","title":{"rendered":"Zero HIV"},"content":{"rendered":"<p><strong>Zero HIV<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0(Editorial publicado em O Globo, 26 de julho, 2012)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/OpEd-Pillay-O-Globo-26-julio.pdf\">PDF 299 kb<\/a><\/p>\n<p>A resposta coletiva contra o HIV, h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, pode ser resumida em uma palavra: vergonhosa.<\/p>\n<p>Na pior das hip\u00f3teses, as pessoas que vivem com HIV foram, inexplicavelmente, presas \u00e0s suas camas, detidas, afastadas em instala\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, criminalizadas e deportadas. Na melhor das hip\u00f3teses, perderam seus empregos, foram expulsas das escolas e tiveram negado o acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos. Respondemos a um v\u00edrus humilhando, estigmatizando e punindo as pessoas infectadas. Nossa resposta ao v\u00edrus foi t\u00e3o dolorosa, e \u00e0s vezes t\u00e3o mortal, quanto o pr\u00f3prio v\u00edrus.<\/p>\n<p>Felizmente, avan\u00e7os impressionantes foram feitos. Nos \u00faltimos anos, avan\u00e7os cient\u00edficos ocorreram e o n\u00famero de novas infec\u00e7\u00f5es, particularmente entre as crian\u00e7as, declinou. Menos pessoas est\u00e3o morrendo. Cerca de metade das pessoas que podem receber tratamento, mesmo nos pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda, est\u00e1 recebendo antirretrovirais.<\/p>\n<p>O HIV n\u00e3o \u00e9 mais a senten\u00e7a de morte. E, no entanto, o estigma e a discrimina\u00e7\u00e3o enfrentados por pessoas HIV+ permanecem altos, em todo o mundo. Ainda hoje se privilegiam estrat\u00e9gias punitivas para o HIV, como a criminaliza\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o do HIV, sua n\u00e3o divulga\u00e7\u00e3o e exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Restri\u00e7\u00f5es \u00e0 entrada e a deporta\u00e7\u00e3o de HIV+ n\u00e3o nacionais nas fronteiras s\u00e3o ainda muito comuns, especialmente nos pa\u00edses mais ricos.<\/p>\n<p>A face do HIV tem sido sempre a face da nossa incapacidade de proteger os direitos humanos. Um dos principais motores da Aids sempre foi, e continua sendo, esta falha para assegurar a prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos de comunidades marginalizadas, incluindo prisioneiros, trabalhadores do sexo, usu\u00e1rios de drogas, pessoas com defici\u00eancia e imigrantes, refugiados e requerentes de asilo.<\/p>\n<p>A homofobia, a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, a discrimina\u00e7\u00e3o racial e a viol\u00eancia contra as mulheres t\u00eam nos impedido esfor\u00e7os maiores para gerir eficazmente e conter a propaga\u00e7\u00e3o do HIV.<\/p>\n<p>O tema da Confer\u00eancia Internacional da Aids deste ano, que se realiza em Washington, \u00e9 Juntos Mudando o Rumo. Realmente, chegou o momento de mudarmos o rumo. As viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos da propaga\u00e7\u00e3o do HIV \u2014 e, em muitos casos, tamb\u00e9m da luta contra o HIV \u2014 devem ser combatidas.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de se construir sobre os ganhos para criar uma resposta global a uma epidemia que nos desafia. E a perspectiva de direitos humanos \u00e9 essencial. O ponto de partida \u00e9 o reconhecimento de todas as pessoas como iguais no gozo de seus direitos.<\/p>\n<p>Leis gerais e pol\u00edticas em muitos pa\u00edses que criminalizam a transmiss\u00e3o n\u00e3o intencional do HIV, a exposi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o divulga\u00e7\u00e3o t\u00eam como alvo espec\u00edfico grupos que devem fazer testes de HIV obrigat\u00f3rios, e restringem as viagens de indiv\u00edduos com base no HIV \u2014 tais pol\u00edticas s\u00e3o alarmistas e equivocadas.<\/p>\n<p>Avan\u00e7os na dire\u00e7\u00e3o certa foram feitos, um dos quais \u2014 a elimina\u00e7\u00e3o das restri\u00e7\u00f5es de viagem \u2014 permitiu aos EUA acolherem esta confer\u00eancia sobre Aids, ap\u00f3s 22 anos.<\/p>\n<p>Mesmo em Estados onde as leis protegem os direitos humanos de pessoas<\/p>\n<p>HIV+, n\u00e3o \u00e9 claro em que medida elas s\u00e3o respeitadas.<\/p>\n<p>Mais recursos precisam ser canalizados para garantir o acesso ao tratamento antirretroviral para salvar vidas, mas tamb\u00e9m para programas de direitos humanos, forma\u00e7\u00e3o de profissionais de sa\u00fade e policiais, acesso \u00e0 Justi\u00e7a para indiv\u00edduos HIV+, combate ao estigma e educa\u00e7\u00e3o de jovens sobre sexo seguro.<\/p>\n<p>O financiamento da luta contra a Aids de uma forma hol\u00edstica n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 necess\u00e1rio, \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 um momento para complac\u00eancia.<\/p>\n<p>O Unaids tem como seu objetivo: zero novas infec\u00e7\u00f5es, zero mortes relacionadas \u00e0 Aids e discrimina\u00e7\u00e3o zero. Nesta confer\u00eancia sobre Aids \u00e9 essencial que os direitos humanos norteiem e motivem nossa resposta.<\/p>\n<p><strong><em>NAVI PILLAY <\/em><\/strong><strong><em>\u00e9 alta comiss\u00e1ria da ONU para os Direitos Humanos.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Zero HIV \u00a0(Editorial publicado em O Globo, 26 de julho, 2012) PDF 299 kb A resposta coletiva contra o HIV, h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, pode ser resumida em uma palavra: vergonhosa. Na pior das hip\u00f3teses, as pessoas que vivem com HIV foram, inexplicavelmente, presas \u00e0s suas camas, detidas, afastadas em instala\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, criminalizadas e deportadas. 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