{"id":11641,"date":"2011-12-09T15:26:12","date_gmt":"2011-12-09T15:26:12","guid":{"rendered":"http:\/\/acnudh.org\/?p=11641"},"modified":"2012-01-16T18:27:56","modified_gmt":"2012-01-16T18:27:56","slug":"declaracao-da-alta-comissaria-da-onu-2011-foi-extraordinario-para-os-direitos-humanos-afirma-navi-pillay","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acnudh.org\/pt-br\/declaracao-da-alta-comissaria-da-onu-2011-foi-extraordinario-para-os-direitos-humanos-afirma-navi-pillay\/","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o da Alta Comiss\u00e1ria da ONU: 2011 foi extraordin\u00e1rio para os direitos humanos, afirma Navi Pillay"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/pillay-HRDay6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-thumbnail wp-image-11644\" title=\"pillay-HRDay\" src=\"http:\/\/acnudh.org\/wp-content\/uploads\/2011\/12\/pillay-HRDay6-e1323447954165-110x110.jpg\" alt=\"\" width=\"110\" height=\"110\" \/><\/a><strong>Navi Pillay, Alta Comiss\u00e1ria dos Direitos Humanos das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/strong><\/p>\n<p>\u201cUm ano em que uma \u00fanica palavra, que brotou da busca frustrada de um \u00fanico jovem pobre de uma remota prov\u00edncia da Tun\u00edsia, fez brotar um sentimento que rapidamente ressonou com grande intensidade.<\/p>\n<p>Poucos dias depois, ouvia-se com for\u00e7a na capital, T\u00fanis, e em quatros semanas sacudiu os alicerces de um regime autorit\u00e1rio e aparentemente invenc\u00edvel. Esse precedente, que revisou radicalmente a arte do poss\u00edvel, rapidamente se propagou pelas ruas e pra\u00e7as do Cairo e seguiu por outras cidades e povoados em toda a regi\u00e3o, e com o tempo, chegaria a adotar diferentes formas pelo mundo.<\/p>\n<p>Essa palavra, essa busca, foi \u201ddignidade\u201d.<\/p>\n<p>Em T\u00fanis e Cairo, Benghazi e Dara\u2019a, e mais tarde, embora tenha sido em diferente contexto, em Madri, Nova York, Londres, Santiago e outras capitais, milh\u00f5es de pessoas de todos os setores sociais se mobilizaram para reivindicar suas pr\u00f3prias demandas por dignidade humana. Eles disseminaram a promessa da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos e exigiram a \u201cliberdade do medo e a liberdade da necessidade\u201d, que resumem todos os direitos civis, pol\u00edticos, sociais, econ\u00f4micos e culturais contidos na Declara\u00e7\u00e3o. Eles lembraram aos governos e institui\u00e7\u00f5es internacionais que a sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, e o acesso \u00e0 justi\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o bens que se vendem a uns poucos, mas sim direitos garantidos a todos, em todas as partes do mundo, sem discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2011, o conceito de poder mudou. No percorrer desse ano extraordin\u00e1rio, o poder foi exercido n\u00e3o somente pelas poderosas institui\u00e7\u00f5es enclaustradas em pal\u00e1cios de m\u00e1rmore, mas cada vez mais por homens e mulheres comuns, inclusive, crian\u00e7as que com valentia exigiram seus direitos. No Oriente M\u00e9dio e na \u00c1frica setentrional, milhares pagaram com suas vidas e milhares foram feridos, perseguidos, torturados, presos e amea\u00e7ados, no entanto, essa rec\u00e9m-descoberta determina\u00e7\u00e3o de exigir seus direitos deve ser entendida no sentido de que eles n\u00e3o est\u00e3o mais dispostos a aceitar a injusti\u00e7a.<\/p>\n<p>Apesar de lamentar a perda de muitas vidas, inclusive nos \u00faltimos dias, durante os cru\u00e9is ataques contra cidades e povoados na S\u00edria, ou pelo uso excessivo da for\u00e7a novamente em Cairo al\u00e9m dos eventos para desestabilizar as elei\u00e7\u00f5es na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, tamb\u00e9m temos motivos para comemorar.<\/p>\n<p>A mensagem desse inesperado \u201cdespertar mundial\u201d n\u00e3o foi transmitido por sat\u00e9lites dos grandes grupos midi\u00e1ticos, nem em confer\u00eancias ou outros meios tradicionais, apesar do papel que eles desempenharam, mas sim pela din\u00e2mica onda dos meios de comunica\u00e7\u00e3o das redes sociais. Os resultados foram surpreendentes.<\/p>\n<p>Ao finalizar esse primeiro ano do \u201cdespertar do mundo\u201d, assistimos a celebra\u00e7\u00e3o do \u00eaxito das elei\u00e7\u00f5es pac\u00edficas em T\u00fanis e, no come\u00e7o dessa semana, no Egito, onde os resultados das primeiras elei\u00e7\u00f5es verdadeiramente democr\u00e1ticas em dec\u00eanios superaram as expectativas de todos, apesar do terr\u00edvel agravamento da viol\u00eancia na Pra\u00e7a Tahrir.<\/p>\n<p>Hoje como ontem, os fatores editoriais e financeiros, assim como a possibilidade de acesso, determinam se os protestos e a repress\u00e3o contra eles s\u00e3o televisionados ou divulgados na imprensa internacional. No entanto, onde quer que ocorram, podemos estar seguros que a informa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 divulgada no Twitter, postado no Facebook, transmitido no Youtube e difundido da internet. Os governos j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam a possibilidade de monopolizar a difus\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o nem censurar o que \u00e9 dito nela.<\/p>\n<p>Em vez disso estamos vendo pessoas reais, lutando de verdade, transmitindo em tempo real, e de muitas maneiras o que vemos \u00e9 encorajador.<\/p>\n<p>Resumindo, em 2011, os direitos humanos tornaram-se virais.<\/p>\n<p>No Dia dos Direitos Humanos de 2011 pe\u00e7o que todos, em todas as partes do mundo, adiram \u00e0 campanha lan\u00e7ada pelo meu escrit\u00f3rio na internet e m\u00eddias sociais para ajudar mais pessoas a conhecer, exigir e defender seus direitos humanos. \u00c9 uma campanha que deve continuar enquanto os abusos de direitos humanos persistirem.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Navi Pillay, Alta Comiss\u00e1ria dos Direitos Humanos das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u201cUm ano em que uma \u00fanica palavra, que brotou da busca frustrada de um \u00fanico jovem pobre de uma remota prov\u00edncia da Tun\u00edsia, fez brotar um sentimento que rapidamente ressonou com grande intensidade. 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