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ONU diz que liberdade religiosa não pode justificar violações de direitos das pessoas LGBTI

31 de outubro, 2017

Foto: ONU31 de outubro de 2017 – Em encontro de líderes religiosos na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, o secretário-geral assistente da ONU para direitos humanos, Andrew Gilmour, alertou que religiões têm sido usadas como pretexto para oprimir gays, lésbicas, bissexuais, pessoas trans e intersexo. Para o especialista, o direito à liberdade de crença não pode ser uma justificativa para tirar os direitos de outras pessoas.

“Embora muitos líderes religiosos estejam tentando virar o jogo, apelando por uma abordagem mais inclusiva, que se preocupe com as pessoas LGBTI como todas as outras, suas vozes são abafadas muito frequentemente por lideranças mais populistas”, lamentou o dirigente em reunião na semana passada (26).

“Em alguns casos, essas lideranças encorajam ativamente a violência e o ódio em nome da religião — seja o pastor dos Estados Unidos que viajou a Uganda para incitar o ódio, seja o sheik que publica vídeos online explicando como matar homens gays. Essas são exemplos extremos, mas, tristemente, não são isolados.”

Gilmour lembrou que, de uma perspectiva legal, todos têm direito a praticar qualquer religião que desejem. Todavia, “mesmo que alguém possa acreditar sinceramente que pessoas gays são depravadas e que a religião determina que elas sejam presas, isso não justifica o fato de que pessoas gays sejam, de fato, presas”.

Atualmente, relações sexuais consensuais entre adultos do mesmo gênero são consideradas ilegais em pelo menos 76 países. Mesmo em lugares onde a vida dessas pessoas não é criminalizada, a discriminação e a violência continuam marginalizando a população LGBTI.

“A fé é há muito tempo uma fonte de consolo e de sofrimento para as pessoas LGBTI. De consolo porque muitas delas continuam a valorizar suas comunidades religiosas. De sofrimento porque muitas foram forçadas a abandonar seus locais de adoração diante da hostilidade de líderes religiosos”, explicou Gilmour.

Apesar dos desafios e da resistência de alguns setores dentro dos países, o secretário-geral assistente lembrou que pelo menos 112 Estados-membros da ONU adotaram recomendações da Organização para combater a discriminação de fundo LGBTIfóbico. Gilmour também elogiou os esforços de alguns líderes religiosos, como os que se reuniram na sede da ONU para discutir os problemas enfrentados por gays, lésbicas, bissexuais, indivíduos trans e intersexo.

Fonte: ONU Brasil

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